Segundo os sentidos veiculados no poema Gesso, de Manuel Ba...
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Q3928791
Português
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Gesso
Manuel Bandeira
Esta minha estatuazinha de gesso, quando nova
— O gesso muito branco, as linhas muito puras, —
Mal sugeria a imagem de vida
(Embora a figura chorasse).
Há muitos anos tenho-a comigo.
O tempo envelheceu-a, carcomeu-a, manchou-a de pátina
amarelo-suja.
Os meus olhos, de tanto a olharem,
Impregnaram-na da minha humanidade irônica de tísico.
Um dia mão estúpida
Inadvertidamente a derrubou e partiu.
Então ajoelhei com raiva, recolhi aqueles tristes fragmentos,
recompus a
[figurinha que chorava.
E o tempo sobre as feridas escureceu ainda mais o sujo mordente
da pátina...
Hoje este gessozinho comercial
É tocante e vive, e me fez agora refletir
Que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu.
Manuel Bandeira. Gesso. In: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 68.
Segundo os sentidos veiculados no poema Gesso, de Manuel
Bandeira, o que diferencia os seres vivos dos objetos inanimados
é, sobretudo,