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Q3995296 História
A respeito da civilização mesopotâmica, especialmente no que se refere à organização social e jurídica, assinale a alternativa correta: 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo era comparar A e C: enquanto A afirma igualdade jurídica universal, C reconhece a diferenciação das leis conforme a posição social. Isso define a correta.

Tema central: desigualdade jurídica mesopotâmica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque atribui ao Código de Hamurábi igualdade jurídica universal. A base afirma exatamente o contrário: penas e reparações eram diferenciadas segundo a posição social, o que afasta a ideia de leis iguais para todos.
B
Errada
Está errada porque afirma exclusividade de uso religioso da escrita cuneiforme. A base informa que ela também era utilizada em registros administrativos, econômicos e legais, portanto não se limitava ao campo religioso.
C
Certa
A alternativa C está certa porque identifica que as leis do Código de Hamurábi variavam conforme a posição social dos envolvidos. Assim, penas e reparações não eram iguais para todos, o que evidencia desigualdade jurídica.
D
Errada
Está errada porque generaliza a Mesopotâmia como um sistema político unificado e contínuo durante toda a Antiguidade. A base indica que a região foi composta por diferentes cidades-Estado, reinos e impérios em períodos distintos, sem unificação política contínua.
Pegadinha da questão
A confusão estava em opor igualdade jurídica universal à diferenciação social das leis no Código de Hamurábi.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a alternativa falar do Código de Hamurábi, verifique se ela reconhece ou nega a diferenciação jurídica por posição social.
  • Desconfie de termos absolutos como "iguais para todos" e "exclusivamente" quando a base histórica admite usos ou tratamentos múltiplos.
  • Ao analisar a Mesopotâmia, trate-a como região de formações políticas diversas, não como um Estado único contínuo.

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LETRA C

O Código de Hamurabi (c. 1772 a.C.), embora seja um dos mais antigos conjuntos de leis escritas, não estabelecia igualdade jurídica. Pelo contrário, as suas leis evidenciavam uma profunda desigualdade social e hierarquização, onde a aplicação da justiça dependia da classe social (homens livres, subalternos e escravos) e do gênero do agressor e da vítima. 

Aqui estão as principais provas baseadas no texto das leis:

  • Punições Diferenciadas (Lei do Talião por Classe): A famosa frase "olho por olho, dente por dente" só se aplicava se agressor e agredido fossem da mesma posição social (homens livres - awilum). Se um homem livre (nobre) ferisse um plebeu ou escravo, a punição era geralmente apenas uma multa em prata, preservando a integridade física do superior.
  • Valorização da Vida: A vida de um homem livre valia mais que a de um "mushkenum" (plebeu/subalterno) ou escravo. Se um homem livre matasse a escrava de outro homem, ele pagava uma indenização, mas se matasse a filha de outro, sua própria filha poderia ser morta.
  • Castigos Severos para Inferiores: Se um agressor fosse socialmente inferior à vítima (ex: um escravo agredir um superior), a pena era muito mais severa, incluindo mutilações (como cortar a orelha ou a mão) ou chicotadas em público.
  • Desigualdade de Gênero: As leis eram patriarcais e puniam as mulheres mais severamente do que os homens, especialmente em casos de adultério. O código também permitia que o marido castigasse sua esposa.
  • Diferenças na Medicina: Os honorários médicos e as penas por erro médico variavam de acordo com o status do paciente. Um médico poderia receber um pagamento alto por salvar um nobre, mas muito menos por um escravo, e era severamente punido se o nobre morresse, mas apenas pagava indenização se o escravo morresse.

Estrutura Social Hierarquizada:

O Código separava explicitamente a população em três camadas principais, o que fundamentava a aplicação desigual da lei: 

  1. Awilum: Homens livres, proprietários de terras, nobres.
  2. Mushkenum: Cidadãos livres de menor status, funcionários públicos, agricultores.
  3. Wardum: Escravos, que podiam ser comprados e vendidos, mas tinham alguns direitos limitados.

Em resumo, o Código de Hamurabi usava o direito para "manter a ordem", o que, na prática, significava proteger os privilégios da nobreza e garantir a submissão dos escravos e plebeus, refletindo a desigualdade da sociedade babilônica.

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