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Q2464947 Medicina
Tumores do sistema nervoso central (SNC) são a principal causa de mortalidade por câncer em crianças, representando 30% das mortes. Sobre este assunto analise as alternativas e assinale a incorreta:
Alternativas

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Tema central: Tumores do SNC em pediatria: apresentação clínica, diagnóstico por imagem, necessidade de biópsia, princípios terapêuticos e estadiamento (busca de disseminação leptomeníngea).

Alternativa incorreta (gabarito): EEstadiamento não se faz apenas com RM. Para tumores com potencial de disseminação no líquor (ex.: meduloblastoma e outros tumores embrionários, ependimoma de alto risco), recomenda-se RM de encéfalo e de toda a coluna com contraste e citologia do líquor por punção lombar para detectar doença microscópica leptomeníngea, que pode não aparecer na RM. A coleta do líquor deve ser feita em momento seguro (geralmente 10–14 dias após a cirurgia, sem hipertensão intracraniana) para reduzir falso-positivo e risco de herniação. Logo, a afirmação de que a RM “é suficiente” está equivocada. Referências: UpToDate; diretrizes SIOP/NCCN de neuro-oncologia pediátrica.

Análise das demais alternativas (corretas):

  • A — Quadro clínico: sinais de pressão intracraniana aumentada (cefaleia, vômitos, irritabilidade, letargia) e sintomas focais conforme localização (ataxia na fossa posterior, crises convulsivas corticais, alterações visuais em vias ópticas). Isso é clássico em pediatria. (SBP/UpToDate)
  • BRM com contraste é o exame de escolha, sobretudo para fossa posterior e avaliação leptomeníngea (pia-máter/ aracnoide). A TC é reservada para urgência (hidrocefalia, sangramento) ou quando RM não disponível. (UpToDate)
  • C — Em maioria dos casos, é necessária biópsia (frequentemente pela própria ressecção) para classificação histo-molecular e graduação. Há exceções pontuais (p.ex., germinoma com marcadores elevados, glioma de via óptica típico em NF1), mas a regra é confirmar por tecido. (OMS 2021/WHO CNS; UpToDate)
  • D — Tratamento é multimodal e dependente de tipo, grau e risco: cirurgia inicial (quando possível) seguida de radioterapia e/ou quimioterapia. Em menores de 3 anos, tenta-se postergar/ reduzir RT. (SIOP/NCCN)

Dicas para a prova:

  • Viu “estadiamento” em tumor com risco de disseminação? Pense em RM cranioespinal + citologia do líquor; RM isolada não basta.
  • Nunca realize punção lombar se houver suspeita de hipertensão intracraniana ou lesão expansiva sem imagem prévia, pelo risco de herniação.
  • RM é padrão-ouro para localização e planejamento; TC é para urgências.

Fontes de referência: UpToDate (Pediatric central nervous system tumors; Staging and evaluation), Diretrizes SIOP/NCCN de tumores do SNC pediátricos, WHO CNS Classification 2021.

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Comentários

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A alternativa E é a incorreta porque, embora a Ressonância Magnética (RM) seja um exame de imagem fundamental para avaliar a extensão do tumor no Sistema Nervoso Central (SNC), ela não é suficiente para o estadiamento completo em alguns casos de tumores encefálicos. Para uma avaliação mais precisa da disseminação do tumor, principalmente em casos de tumores que podem se espalhar pelo líquido cefalorraquidiano (LCR), a punção lombar para análise citológica do LCR é um procedimento importante. A RM pode fornecer informações detalhadas sobre a localização e tamanho do tumor, mas a punção lombar pode detectar células tumorais que se espalharam fora da região visualizada pela RM. Portanto, em alguns tipos de tumores, como o meduloblastoma, a punção lombar é um componente essencial do estadiamento para determinar se o câncer se disseminou para outras áreas do SNC. A RM pós-operatória, por outro lado, é importante para avaliar o sucesso da cirurgia e a presença de tumor residual, mas não substitui a necessidade da punção lombar em determinados cenários clínicos.

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