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Q3793644 Fonoaudiologia
Um fonoaudiólogo é chamado para avaliar um paciente de 58 anos na UTI, submetido à intubação orotraqueal (IOT) prolongada (14 dias) devido a uma pneumonia grave. Após a extubação, o paciente evoluiu com disfonia severa e permanece em risco de broncoaspiração, impossibilitado de comunicar suas necessidades básicas, como dor ou sede, o que gera grande ansiedade e dificulta o manejo clínico pela equipe de enfermagem. O paciente está lúcido e cooperativo, mas sua fala é ininteligível e a deglutição é insegura, mantendo-se em dieta zero. Acerca da intervenção fonoaudiológica para este paciente no ambiente de UTI, marque V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas.

(__)A intervenção deve focar exclusivamente na reabilitação da disfagia, utilizando exercícios de mobilidade e força de laringe e faringe, sendo a comunicação verbal suspensa até a melhora da qualidade vocal.
(__)A disfonia pós-extubação é geralmente causada por atrofia muscular por desuso e não requer avaliação otorrinolaringológica, devendo ser tratada apenas com repouso vocal absoluto.
(__)A implementação de estratégias de Comunicação Suplementar e Alternativa (CSA) de baixa tecnologia, como pranchas de comunicação com figuras, letras ou palavras-chave (ex: 'dor', 'água', 'banheiro'), é crucial neste momento para garantir a expressão de necessidades básicas e reduzir a angústia do paciente.
(__)A Comunicação Suplementar e Alternativa (CSA) em ambiente hospitalar é restrita a dispositivos de alta tecnologia (informatizados), não sendo permitidos recursos de baixa tecnologia na UTI devido ao risco de infecção cruzada.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Resolução CFFa nº 604, de 10 de março de 2021, arts. 3º e 4º: “Art. 3º O profissional especialista em Fonoaudiologia Hospitalar está apto a: I. Realizar triagem, avaliação, diagnóstico, prognóstico, terapia, gerenciamento, encaminhamento e orientações dos aspectos da comunicação, deglutição, equilíbrio e outros procedimentos de competência do fonoaudiólogo, de acordo com a doença-base do paciente no âmbito hospitalar; (...) Art. 4º As competências relativas ao profissional especialista em Fonoaudiologia Hospitalar ficam assim definidas: (...) cc) Comunicação Suplementar e Alternativa; (...) 4 – Processo produtivo: a) Realizar triagem, avaliação, diagnóstico, prognóstico, terapia, gerenciamento, encaminhamento e orientações dos aspectos da comunicação e deglutição de acordo com a patologia/doença-base do paciente;”. No caso, a atuação hospitalar abrange comunicação e deglutição, inclui CSA e não autoriza as restrições afirmadas nos itens 1, 2 e 4, o que conduz à sequência F, F, V, F.

Tema central: Atuação fonoaudiológica na UTI
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque parte da sequência V, F, F, F. O erro está no item 1, que não pode ser verdadeiro diante da Resolução CFFa nº 604/2021, a qual prevê atuação simultânea sobre comunicação e deglutição no ambiente hospitalar, e no item 3, que não pode ser falso porque a própria norma inclui “Comunicação Suplementar e Alternativa” entre as competências do especialista.
B
Errada
Incorreta porque adota F, F, F, V. O item 3 está juridicamente errado nessa sequência, já que a CSA é competência expressa da Fonoaudiologia Hospitalar. O item 4 também está errado, pois a base normativa não restringe CSA a dispositivos de alta tecnologia nem proíbe recursos de baixa tecnologia na UTI.
C
Certa
A alternativa C está correta porque corresponde à sequência F, F, V, F. O item 1 é falso, pois a Resolução CFFa nº 604/2021 define atuação hospitalar sobre comunicação e deglutição, não autorizando foco exclusivo na disfagia com suspensão da comunicação. O item 2 é falso, porque a afirmação categórica de que a disfonia pós-extubação decorre geralmente de atrofia por desuso, dispensa avaliação otorrinolaringológica e deve ser tratada apenas com repouso vocal absoluto não é sustentada pela base normativa utilizada. O item 3 é verdadeiro, pois a norma inclui expressamente Comunicação Suplementar e Alternativa como competência do especialista em Fonoaudiologia Hospitalar, o que sustenta o uso de recursos de baixa tecnologia para expressão de necessidades básicas. O item 4 é falso, porque a base não contém qualquer restrição da CSA à alta tecnologia nem proibição de recursos de baixa tecnologia na UTI.
D
Errada
Incorreta porque considera todos os itens verdadeiros. Isso contraria diretamente a Resolução CFFa nº 604/2021 quanto ao item 1, que indevidamente reduz a atuação à disfagia, e ao item 4, que cria restrição inexistente à CSA de baixa tecnologia. Quanto ao item 2, a base não sustenta a generalização causal nem a conduta exclusiva de repouso vocal absoluto sem avaliação especializada.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre atuação em UTI e foco exclusivo em disfagia, além da falsa ideia de que CSA hospitalar só pode ser de alta tecnologia ou que recursos simples sejam proibidos por biossegurança.
Dica para questões semelhantes
  • Em Fonoaudiologia Hospitalar, confira se a norma atribui atuação conjunta sobre comunicação e deglutição; se atribuir, desconfie de alternativas que excluem uma dessas frentes.
  • Se a norma mencionar expressamente Comunicação Suplementar e Alternativa, não aceite restrições não previstas, como limitação apenas a alta tecnologia.
  • Afirmações categóricas sobre causa única, conduta exclusiva ou dispensa absoluta de avaliação especializada exigem suporte normativo específico; sem isso, tendem a estar erradas.

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