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Q3413298 Português

TEXTO I

Pais e filhos: tão perto, tão longe


    A sociedade contemporânea se assenta, segundo vários pensadores das ciências humanas, por uma polaridade: de um lado o excesso, de outro a falta. No entanto, há muitos anos a psicanálise nos ensina: todo excesso esconde uma falta.

    Vivemos um momento sócio-histórico de excessos de trabalho, compromissos, desejos, expectativas e estímulos que atingem indistintamente crianças, adolescentes e adultos. Vivemos ocupados, com agendas cheias de cursos, reuniões, compromissos e atividades extracurriculares. Não há tempo a perder e nunca antes tivemos tanto a sensação de estarmos correndo em busca do tempo perdido. A excelência de desempenho acompanha a todos na escola, no trabalho, nos demais ambientes em que estamos inseridos. Estamos conectados permanentemente e devemos estar disponíveis todo o tempo.

    Esse ambiente de estimulação e exigências constantes, no qual às vezes damos conta das demandas que nos são impostas por nós mesmos ou pelo outro, e outras vezes não, tem uma única consequência a todos: a exaustão.

    Exaustos, ao chegarmos a casa, só queremos ficar mergulhados no nosso mundo, para de certa forma termos (ainda que na nossa fantasia) uma compensação pelas frustrações enfrentadas ao longo do dia. E é nesse ponto que começamos a nos distanciar do nosso parceiro e dos nossos filhos, porque passamos a nos tornar indisponíveis ao outro.

    Educar filhos, formá-los, é tarefa para a vida inteira e exige disposição, tempo, vitalidade e dedicação, e o fato é que, embora na teoria estejamos todos comprometidos com isso, na prática nem sempre estamos dispostos. Terceirizamos essas tarefas para professores, psicólogos, avós e babás. E, quando não temos essas pessoas à disposição, silenciamos as crianças dando-lhes a possibilidade de passar horas diante de alguma telinha: se antes era a televisão, hoje vemos crianças em idades cada vez mais precoces com um Ipad na mão. Não queremos ser perturbados no nosso mundo, no nosso silêncio e, sem percebermos, vamos criando abismos nas nossas relações.



(Valdeli Vieira Pais e filhos: tão perto, tão longe (adaptado) REVISTA E: https://www.sescsp.org.br/online/artigo/13291_PAISEFILHOS.)

Leia: Não há tempo a perder e nunca antes tivemos tanto a sensação de estarmos correndo em busca do tempo perdido. Pode-se dizer que a oração em destaque possui a seguinte classificação segundo a gramática normativa da Língua Portuguesa:
Alternativas

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Tema central da questão: Sintaxe – classificação das orações subordinadas. Saber identificar uma oração subordinada substantiva é fundamental em provas de concursos, em especial para cargos como Auxiliar de Creche.

Análise do trecho: No fragmento “a sensação de estarmos correndo em busca do tempo perdido”, a expressão em destaque ("de estarmos correndo em busca do tempo perdido") completa o sentido do substantivo "sensação" usando a preposição "de".

Segundo a norma-padrão (Cunha & Cintra, Bechara), oração subordinada substantiva completiva nominal é aquela que complementa o sentido de um nome (geralmente um substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio), sendo precedida por preposição.

Exemplo clássico (Bechara): “Tenho medo de que ele falte.” (“de que ele falte” complementa o substantivo "medo").

Alternativa correta:
C) Oração subordinada substantiva completiva nominal.
A oração complementa o substantivo "sensação", acompanhada da preposição "de", encaixando-se perfeitamente na definição gramatical.

Por que as outras alternativas estão erradas?

A) Objetiva direta: Seria objeto direto de um verbo sem preposição. Não é o caso (há preposição e o termo regido é um substantivo).
B) Objetiva indireta: Só ocorre quando há verbo transitivo indireto. O termo regido é "sensação", e não um verbo.
D) Adverbial causal: Indica causa. Aqui temos um complemento, não uma relação de causa.
E) Adverbial consecutiva: Indica consequência. O trecho não expressa consequência, mas complemento.

Estratégia para provas: Identifique sempre o termo que a oração complementa e observe a presença de preposição: se for um substantivo, adjetivo ou advérbio, provavelmente é completiva nominal.

Referências: Bechara (Moderna Gramática Portuguesa); Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo).

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Comentários

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O núcleo é o substantivo “sensação”.

Esse substantivo exige complemento para ter sentido completo.

O complemento vem introduzido pela preposição “de” + oração reduzida de infinitivo: “de estarmos correndo...”.

Esse é exatamente o caso de oração subordinada substantiva completiva nominal → porque completa o sentido do nome (“sensação”).

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