Assinale a alternativa em que o termo destacado introduz um...
Leia o texto abaixo e responda às questões propostas:
Guedes, um policial adepto do Princípio da Singeleza, de Ferguson – se existem duas ou mais teorias para explicar um mistério, a mais simples é a mais verdadeira –, jamais supôs que um dia iria encontrar a socialite Delfina Delamare. Ela, por sua vez, nunca havia visto um policial em carne e osso. O tira, como todo mundo, sabia quem era Delfina Delamare, a cinderela órfã que se casara com o milionário Eugênio Delamare, colecionador de obras de arte, campeão olímpico de equitação pelo Brasil, o bachelor mais disputado do hemisfério sul. Os jornais e revistas deram um grande destaque ao casamento da moça pobre que nunca saíra de casa, onde tomava conta de uma avó doente, com o príncipe encantado; e desde então o casal jamais deixou de ser notícia.
Houve um tempo em que os tiras usavam paletó, gravata e chapéu, mas isso foi antes de Guedes entrar para a polícia. Ele possuía apenas um terno velho, que nunca usava e que, de tão antigo, já entrara e saíra de moda várias vezes. Costumava vestir um blusão sobre a camisa esporte, a fim de esconder o revólver, um Colt Cobra 38, que usava sob o sovaco. [...]
Delfina Delamare nem sempre acompanhava o marido nas viagens. Na verdade ela não gostava muito de viajar. [...] Ela preferia ficar no Rio, trabalhandoemsuas obras filantrópicas.
O encontro entre Delfina e Guedes deu-se numa das poucas circunstâncias possíveis de ocorrer. Foi na rua, é claro, mas de maneira imprevista, para um e outro. Delfina estava no seu Mercedes, na rua Diamantina, uma rua sem saída no alto do Jardim Botânico. Quando chegou ao local do encontro Guedes já sabia que Delfina não estava dormindo, como chegaram a supor as pessoas que a encontraram, devido à tranquilidade do seu rosto e à postura confortável do corpo no assento do carro. Guedes, porém, havia tomado conhecimento, ainda na delegacia, do ferimento letal oculto pela blusa de seda que Delfina vestia.
O local já havia sido isolado pelos policiais. A rua Diamantina tinha árvores dos dois lados e, naquela hora da manhã, o sol varava a copa das árvores e refletia na capota amarelo-metálico do carro, fazendo-a brilhar como se fosse de ouro.
Guedes acompanhou atentamente o trabalho dos peritos do Instituto de Criminalística. Havia poucas impressões digitais no carro, colhidas cuidadosamente pelos peritos da polícia. Foram feitas várias fotos de Delfina, alguns closes da mão direita que segurava um revólver niquelado calibre 22. No pulso da mão esquerda, um relógio de ouro. Dentro da bolsa, sobre o banco do carro, havia um talão de cheques, vários cartões de crédito, objetos de maquiagem num pequeno estojo, um vidro de perfume francês, um lenço de cambraia, uma receita de papel timbrado do médico Pedro Baran (hematologia, oncologia) e um aviso de correio do Leblon para Delfina Delamare apanhar correspondência registrada. Esses dois documentos Guedes colocou no bolso. Havia no porta-luvas, além do documento do carro, um livro, Os Amantes, de Gustavo Flávio, com a dedicatória “Para Delfina que sabe que a poesia é uma ciência tão exata quanto a geometria, G.F.” A dedicatória não tinha data e fora escrita com uma caneta de ponta macia e tinta preta. Guedes colocou o livro debaixo do braço. Esperou a perícia terminar o seu lento trabalho no local; aguardou o rabecão chegar e levar o corpo da morta numa caixa de metal amassada e suja para ser autopsiado no Instituto Médico Legal. Delfina recebeu dos homens do rabecão o mesmo tratamento dos mendigos que caem mortos na sarjeta.
FONSECA, Rubem. Bufo & Spallanzani. 24 ed. rev. pelo autor. São Paulo: Companhia das Letras,1991, p. 13-14.
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Tema central da questão: O foco é a identificação da oração subordinada substantiva objetiva direta, ou seja, aquela que exerce a função de objeto direto de um verbo, completando seu sentido sem preposição. São geralmente iniciadas pelas conjunções integrantes “que” ou “se”, conforme explicam gramáticas de referência como as de Evanildo Bechara e Cunha & Cintra.
Justificativa para a alternativa correta (E):
O trecho “Para Delfina que sabe QUE a poesia é uma ciência tão exata quanto a geometria” apresenta uma oração iniciada por “que”, e seu núcleo é o verbo “sabe”. Fazendo a pergunta: “Delfina sabe o quê?”, a resposta será “que a poesia é uma ciência tão exata quanto a geometria”. Assim, a oração em destaque desempenha função de objeto direto do verbo saber, caracterizando a subordinada substantiva objetiva direta.
Análise das alternativas incorretas:
- A) O “que” retoma “revólver” e introduz uma oração subordinada adjetiva: caracteriza o substantivo da frase. Não é oração substantiva.
- B) O “que” refere-se a “moça pobre”. Outra oração subordinada adjetiva restritiva, funcionando como um adjetivo, e não como objeto direto.
- C) O “que” caracteriza “cinderela órfã”, funcionando como oração adjetiva. Não exerce papel de objeto direto.
- D) O “que” introduz uma oração relativa, explicando “tempo” (há um tempo em que algo acontecia). Não temos relação de objeto direto.
Estratégias para provas: Em questões como essa, identifique sempre o verbo da oração principal e pergunte “Verbo + o quê?”. Quando a oração introduzida por “que” ou “se” responder essa pergunta sem preposição, temos uma subordinada substantiva objetiva direta.
Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), a oração objetiva direta é “aquela que desempenha o papel de complemento sem preposição a um verbo transitivo direto”.
Conclusão: A alternativa E é a correta. Saber identificar as funções sintáticas das orações é fundamental para resolver com segurança questões sobre sintaxe, especialmente em concursos públicos.
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Comentários
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'que' como conjunção integrante: objeto direto
Letra E.
Nesse caso, o verbo saber é VTD e o QUE introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
“[...] a fim de esconder o revólver, um Colt Cobra 38, QUE usava sob o sovaco.” (§ 2)
Retomando o revólver, para especificar/restringir algo, portanto, oração adjetiva RESTRITIVA.
“Para Delfina que sabe QUE a poesia é uma ciência tão exata quanto a geometria, G.F.’” (§ 6)
O verbo saber é VTD, o que está introduzindo uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
eu troquei tudo pelo o qual, a unica que nao deu foi a letra E
qual o erro da ''D''?
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