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Q3413295 Português

TEXTO I

Pais e filhos: tão perto, tão longe


    A sociedade contemporânea se assenta, segundo vários pensadores das ciências humanas, por uma polaridade: de um lado o excesso, de outro a falta. No entanto, há muitos anos a psicanálise nos ensina: todo excesso esconde uma falta.

    Vivemos um momento sócio-histórico de excessos de trabalho, compromissos, desejos, expectativas e estímulos que atingem indistintamente crianças, adolescentes e adultos. Vivemos ocupados, com agendas cheias de cursos, reuniões, compromissos e atividades extracurriculares. Não há tempo a perder e nunca antes tivemos tanto a sensação de estarmos correndo em busca do tempo perdido. A excelência de desempenho acompanha a todos na escola, no trabalho, nos demais ambientes em que estamos inseridos. Estamos conectados permanentemente e devemos estar disponíveis todo o tempo.

    Esse ambiente de estimulação e exigências constantes, no qual às vezes damos conta das demandas que nos são impostas por nós mesmos ou pelo outro, e outras vezes não, tem uma única consequência a todos: a exaustão.

    Exaustos, ao chegarmos a casa, só queremos ficar mergulhados no nosso mundo, para de certa forma termos (ainda que na nossa fantasia) uma compensação pelas frustrações enfrentadas ao longo do dia. E é nesse ponto que começamos a nos distanciar do nosso parceiro e dos nossos filhos, porque passamos a nos tornar indisponíveis ao outro.

    Educar filhos, formá-los, é tarefa para a vida inteira e exige disposição, tempo, vitalidade e dedicação, e o fato é que, embora na teoria estejamos todos comprometidos com isso, na prática nem sempre estamos dispostos. Terceirizamos essas tarefas para professores, psicólogos, avós e babás. E, quando não temos essas pessoas à disposição, silenciamos as crianças dando-lhes a possibilidade de passar horas diante de alguma telinha: se antes era a televisão, hoje vemos crianças em idades cada vez mais precoces com um Ipad na mão. Não queremos ser perturbados no nosso mundo, no nosso silêncio e, sem percebermos, vamos criando abismos nas nossas relações.



(Valdeli Vieira Pais e filhos: tão perto, tão longe (adaptado) REVISTA E: https://www.sescsp.org.br/online/artigo/13291_PAISEFILHOS.)

Conforme o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, apresenta a mesma justificativa de emprego do acento o par que se encontra na alternativa:
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Comentário da Questão – Ortografia: Uso do Acento Gráfico

Tema: Esta questão aborda o emprego do acento gráfico em palavras da Língua Portuguesa, conforme o Novo Acordo Ortográfico. O objetivo é identificar o par de palavras que apresenta a mesma justificativa para o uso do acento.

Estratégia para resolver: O segredo é analisar por que cada palavra é acentuada, lembrando das principais regras de acentuação:

  • Monossílabos tônicos terminados em a, e, o seguidos ou não de "s" (ex: pá, pé, pó, pés);
  • Oxítonas terminadas em a, e, o, em, ens (ex: café, também);
  • Paroxítonas terminadas em l, n, r, x, ps, ã, ão, um, uns, i, is, us, ei, eis, ão, ãos, ã, ãs, on, ons (ex: fácil, órgão, lápis);
  • Proparoxítonas (todas são acentuadas, ex: médico, lâmpada);
  • Ditongos abertos em oxítonas e paroxítonas (pai, céu, herói).

Alternativa correta: B - vários – ciências.

Ambas as palavras (vários e ciências) são paroxítonas (a sílaba tônica é a penúltima) e apresentam um ditongo na sílaba tônica (“vá-rios”, “ci-ên-cias”).
Segundo a Gramática Normativa e o VOLP, todas as paroxítonas terminadas em ditongo são acentuadas (exemplo: férias, médios, sérios, fáceis).

Por quê?

  • Vá-rios: paroxítona terminada em ditongo oral “io”.
  • Ci-ên-cias: paroxítona terminada em ditongo “ia”.
Ambas seguem a MESMA regra de acentuação!

Análise das alternativas incorretas:

A - contemporânea – avós.

  • Contemporânea: proparoxítona (todas são acentuadas).
  • Avós: oxítona terminada em “ós” (acentuada por ser oxítona terminada em “o(s)”).
Regras diferentes: uma é proparoxítona, outra é oxítona terminada em “os”.

C - há – babás.

  • : monossílabo tônico terminado em “a”.
  • Babás: oxítona terminada em “ás”.
Regras diferentes: uma é monossílabo tônico, outra é oxítona terminada em “as”.

D - é – excelência.

  • É: monossílabo tônico terminado em “e”.
  • Excelência: proparoxítona (todas são acentuadas).
Regras diferentes: monossílabo tônico x proparoxítona.

E - psicanálise – babás.

  • Psicanálise: proparoxítona.
  • Babás: oxítona terminada em “ás”.
Regras diferentes: proparoxítona x oxítona.

Dica para provas: Sempre que a questão pedir sobre justificativa de acentuação, <

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