Assinale a alternativa cujo morfema destacado na palavra es...

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Q3413294 Português

TEXTO I

Pais e filhos: tão perto, tão longe


    A sociedade contemporânea se assenta, segundo vários pensadores das ciências humanas, por uma polaridade: de um lado o excesso, de outro a falta. No entanto, há muitos anos a psicanálise nos ensina: todo excesso esconde uma falta.

    Vivemos um momento sócio-histórico de excessos de trabalho, compromissos, desejos, expectativas e estímulos que atingem indistintamente crianças, adolescentes e adultos. Vivemos ocupados, com agendas cheias de cursos, reuniões, compromissos e atividades extracurriculares. Não há tempo a perder e nunca antes tivemos tanto a sensação de estarmos correndo em busca do tempo perdido. A excelência de desempenho acompanha a todos na escola, no trabalho, nos demais ambientes em que estamos inseridos. Estamos conectados permanentemente e devemos estar disponíveis todo o tempo.

    Esse ambiente de estimulação e exigências constantes, no qual às vezes damos conta das demandas que nos são impostas por nós mesmos ou pelo outro, e outras vezes não, tem uma única consequência a todos: a exaustão.

    Exaustos, ao chegarmos a casa, só queremos ficar mergulhados no nosso mundo, para de certa forma termos (ainda que na nossa fantasia) uma compensação pelas frustrações enfrentadas ao longo do dia. E é nesse ponto que começamos a nos distanciar do nosso parceiro e dos nossos filhos, porque passamos a nos tornar indisponíveis ao outro.

    Educar filhos, formá-los, é tarefa para a vida inteira e exige disposição, tempo, vitalidade e dedicação, e o fato é que, embora na teoria estejamos todos comprometidos com isso, na prática nem sempre estamos dispostos. Terceirizamos essas tarefas para professores, psicólogos, avós e babás. E, quando não temos essas pessoas à disposição, silenciamos as crianças dando-lhes a possibilidade de passar horas diante de alguma telinha: se antes era a televisão, hoje vemos crianças em idades cada vez mais precoces com um Ipad na mão. Não queremos ser perturbados no nosso mundo, no nosso silêncio e, sem percebermos, vamos criando abismos nas nossas relações.



(Valdeli Vieira Pais e filhos: tão perto, tão longe (adaptado) REVISTA E: https://www.sescsp.org.br/online/artigo/13291_PAISEFILHOS.)

Assinale a alternativa cujo morfema destacado na palavra esteja plenamente indicado entre parênteses.
Alternativas

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Comentário da Questão – Morfologia

Tema abordado: A questão trata de morfologia, mais especificamente sobre a identificação correta dos morfemas (partes que compõem as palavras) e suas classificações: prefixo, sufixo, vogal temática, desinências, vogal de ligação, entre outros.

Como interpretar o enunciado: O comando pede que você identifique a alternativa em que o morfema destacado está corretamente indicado entre parênteses. É fundamental conhecer as funções de cada morfema para não cair em confusões, pois as alternativas trazem termos que se parecem, mas possuem funções diferentes.

Regra gramatical envolvida: Segundo a Gramática Normativa (Evanildo Bechara, Celso Cunha & Lindley Cintra), os morfemas podem ser:

  • Radical – base de significado da palavra.
  • Afixos – prefixos (antes do radical) e sufixos (após o radical).
  • Desinências – indicam flexões de gênero, número, tempo, modo, pessoa.
  • Vogais Temáticas e Vogais de Ligação – elementos de ligação ou tema.

Alternativa correta:

C - estimulação (sufixo)

A palavra "estimulação" é formada pelo radical "estimul-" e pelo sufixo "-ação", que indica ação/processo. O sufixo é um morfema que se adiciona ao final do radical para formar palavras novas ou modificar seu significado e classe gramatical. Portanto, o termo destacado está corretamente classificado como sufixo.

Exemplo prático: formação, criação, avaliação — todas usam o sufixo "-ação" para indicar o ato ou efeito de algo.

Análise das alternativas incorretas:

A - indistintamente (infixo)
O termo "in-" é um prefixo, pois está antes do radical "distint-", indicando negação ou ausência. Infixo é um termo usado para morfemas inseridos dentro do radical, o que não ocorre em português. Portanto, a classificação está errada.

B - busca (desinência de gênero)
Na palavra "busca", a vogal "a" não é desinência de gênero, mas sim vogal temática ou faz parte do radical (palavra primitiva: buscar). Desinência de gênero aparece em palavras flexionadas (ex: menino/menina), o que não é o caso aqui. Está incorreta.

D - queremos (desinência modo-temporal)
No verbo "queremos", "emos" é uma desinência modo-temporal (indicando presente do indicativo) e "s" final é desinência número-pessoal (nós). Porém, o morfema destacado é "mos", que isoladamente NÃO é desinência modo-temporal, mas sim desinência número-pessoal (1ª pessoa do plural). Portanto, a classificação está incorreta.

E - Educar (vogal de ligação)
Em "educar", o "a" é a vogal temática verbal (marca do verbo da 1ª conjugação), não uma vogal de ligação. Vogal de ligação é usada em compostos (ex: cafeicultura, gasômetro), para facilitar a pronúncia, o que não se aplica aqui. Alternativa incorreta.

Dica para provas: Sempre observe a posição do morfema (início, meio ou fim da palavra) e sua função (mudar sentido, classe, tempo, pessoa etc.). Isso ajuda a evitar pegadinhas comuns!

Resumo:

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Comentários

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Corrogindo as alternativas:

A) indistintamente (infixo).

• ❌ Erro: o português não possui infixo (isso existe em outras línguas, mas não na nossa). Aqui temos prefixo in-, radical distint e sufixo -mente.

B) busca** (desinência de gênero).

• ❌ Erro: o “-a” em busca não é desinência de gênero, mas parte do radical (busc- + a). É diferente de “menino/menina”, em que o -o/-a é realmente uma desinência de gênero.

C) estimulação** (sufixo).

• ✅ Correta: o “-ção” é um sufixo nominal que forma substantivos a partir de verbos (estimular → estimulação).

D) querermos** (desinência modo-temporal).

• ❌ Erro: o “-mos” não é desinência modo-temporal, mas desinência número-pessoal (1ª pessoa do plural). A desinência modo-temporal seria, por exemplo, o “-va” em cantava.

E) educar** (vogal de ligação).

• ❌ Erro: o “-r” é a desinência de infinitivo verbal, não uma vogal de ligação. Vogal de ligação são o “i” em cafeicultor ou o “o” em gasômetro.

Logo, o gabarito é C)

Fonte: Chatgpt

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