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Q3793636 Fonoaudiologia
Um paciente de 72 anos, sexo masculino, foi admitido na unidade de terapia intensiva (UTI) há 10 dias devido a um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico em território de artéria cerebral média. Após estabilização clínica, ele foi extubado e iniciou dieta enteral por sonda nasogástrica (SNG). A equipe médica solicita uma avaliação fonoaudiológica para verificar a segurança e eficácia da deglutição, visando a possível progressão da dieta para via oral. O paciente encontra-se alerta, orientado, mas com hemiparesia direita e disartria moderada. A avaliação clínica fonoaudiológica beira-leito é o primeiro passo para o manejo da disfagia orofaríngea neurogênica neste contexto. Assim, analise as afirmativas a seguir.

I.A avaliação clínica beira-leito, embora fundamental para identificar sinais clínicos sugestivos de penetração ou aspiração laringotraqueal, como tosse e voz molhada, possui limitações e não detecta de forma confiável a aspiração silente, sendo a videofluoroscopia da deglutição (VFSS) o exame padrão-ouro para essa confirmação.
II.Caso o paciente estivesse traqueostomizado, o teste de corante azul (Blue Dye Test) seria o método mais fidedigno para avaliar a aspiração, pois sua alta sensibilidade permite detectar volumes mínimos de aspiração, superando a videofluoroscopia em precisão diagnóstica em pacientes críticos.
III.A intervenção fonoaudiológica nesse caso deve focar não apenas na reintrodução segura da via oral, mas também em manobras facilitadoras e exercícios para melhorar a força e coordenação dos músculos orofaringolíngeos, visando a reabilitação da função da deglutição e minimizando o risco de broncoaspiração.

Assinale a alternativa que apresenta somente a(s) proposição(ões) CORRETA(S): 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Resolução CFFa nº 719/2023, art. 8º: "Art. 8º É competência do fonoaudiólogo realizar os exames de videodeglutograma ou videofluoroscopia da deglutição, para analisar a biomecânica da fase oral e faríngea, intervir com manobras, mudanças de consistências, volume de alimento e utensílios adequados, e emitir laudo funcional com definição de grau de comprometimento da deglutição." No caso, a questão trata de paciente com disfagia neurogênica pós-AVC em contexto hospitalar, e essa regra sustenta que a videofluoroscopia é o exame instrumental de referência para análise da deglutição e que a atuação fonoaudiológica inclui intervenção reabilitadora com manobras; por isso, I e III estão corretas, e II está errada ao atribuir superioridade diagnóstica ao Blue Dye Test.

Tema central: Disfagia hospitalar
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque inclui a assertiva II. A base é expressa ao afirmar que o Blue Dye Test não pode ser tratado como método mais fidedigno nem como superior à videofluoroscopia, já que sua acurácia diagnóstica é inconsistente. Logo, uma alternativa que considere II correta está juridicamente afastada.
B
Errada
Incorreta porque depende da correção simultânea de I, II e III, mas a assertiva II contraria a base técnico-oficial. Embora I e III estejam de acordo com a competência normativa do fonoaudiólogo para avaliação instrumental e intervenção com manobras, a inclusão de II invalida a alternativa.
C
Errada
Incorreta porque aponta como correta apenas a assertiva II, justamente a proposição rejeitada pela base. O erro específico está em atribuir ao Blue Dye Test alta sensibilidade estável, detecção de volumes mínimos de aspiração e superioridade sobre a videofluoroscopia, afirmações que a base expressamente não autoriza.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reúne apenas as assertivas compatíveis com a base normativa e técnico-oficial. A assertiva I está certa ao reconhecer que a avaliação clínica beira-leito é fundamental, mas tem limitação para detectar com confiabilidade a aspiração silente, exigindo avaliação instrumental para confirmação segura; a base admite a videofluoroscopia/videodeglutograma como exame de referência na análise da deglutição. A assertiva III também está correta porque a atuação fonoaudiológica hospitalar não se limita à decisão sobre liberação de via oral: ela abrange habilitação e reabilitação da deglutição, com manobras e ajustes terapêuticos, nos termos do art. 8º da Resolução CFFa nº 719/2023.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre um procedimento existente no manejo de traqueostomizados e um exame instrumental de referência: o Blue Dye Test pode ser utilizado, mas não tem base para ser classificado como mais fidedigno ou superior à videofluoroscopia.
Dica para questões semelhantes
  • Se a assertiva disser que a avaliação clínica beira-leito exclui com segurança aspiração silente, a tendência é de erro, porque a base exige método instrumental confiável para essa detecção.
  • Quando a questão opuser videofluoroscopia a testes de leito, verifique se o enunciado atribui superioridade diagnóstica indevida ao teste de leito; pela base, isso afasta a alternativa.
  • Em disfagia hospitalar, não restrinja a atuação fonoaudiológica à liberação de dieta: a base inclui manobras, ajustes de consistência, volume e outras medidas reabilitadoras.

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