Segundo os conceitos atuais da Periodontia, descritos no Tra...
Gabarito comentado
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Tema central: Fatores de risco para o desenvolvimento e progressão da periodontite. Em Periodontia moderna, conforme Lindhe & Lang (Tratado de Periodontia Clínica e Implantologia Oral) e o Consenso EFP/AAP 2017–2018, a periodontite decorre de um biofilme disbiótico (microbiota alterada) em um hospedeiro suscetível, sendo modulada por fatores de risco comprovados: tabagismo e diabetes mellitus.
Gabarito: B — tabagismo, diabetes e biofilme disbiótico.
Justificativa da correta (B): - Tabagismo: aumenta 2–3x o risco e acelera a perda de inserção e reabsorção óssea; há relação dose-resposta, pior cicatrização e resposta imune alterada (nicotina/CO, vasoconstrição, disfunção neutrofílica). - Diabetes (especialmente mal controlado): hiperglicemia → formação de AGE, via RAGE, estresse oxidativo e inflamação exacerbada; maior destruição dos tecidos periodontais. Controle glicêmico melhora desfechos periodontais. - Biofilme disbiótico: mudança ecológica com patógenos chave (ex.: Porphyromonas gingivalis) que subvertem a resposta do hospedeiro. É o fator etiológico necessário, cujo impacto é modulado por tabagismo e diabetes.
Referências: Lindhe & Lang, Clinical Periodontology and Implantology; EFP/AAP World Workshop 2017–2018 (Tonetti, Chapple); UpToDate (Periodontitis: Risk factors).
Estratégia de prova: Priorize fatores com evidência causal e forte associação longitudinal. Desconfie de “marcadores” (idade, gênero) e de variáveis locais/associações fracas (aparelho ortodôntico, hipertensão) sendo listadas como principais.
Análise das incorretas:
A) diabetes, hipertensão e higiene deficiente: Hipertensão tem associação inconsistente; não é considerada fator de risco principal em diretrizes. “Higiene deficiente” é determinante local que favorece acúmulo de placa, mas o conceito atual enfatiza a disbiose do biofilme, não apenas sua quantidade.
C) tabagismo, idade e gênero: Idade e gênero são marcadores ou variáveis de confusão, não fatores causais modificáveis. O aumento da prevalência com a idade reflete exposição cumulativa e não causalidade direta.
D) diabetes, gênero e idade: Falta o tabagismo, um dos mais fortes fatores de risco modificáveis. Gênero/idade, novamente, são indicadores, não principais fatores de risco.
E) higiene deficiente, tabagismo e uso de aparelho ortodôntico: Aparelhos são fatores retentivos locais, que podem piorar controle de placa, mas não são fatores de risco centrais para periodontite. Falta diabetes, fundamental na progressão.
Pegadinhas comuns: confundir “higiene deficiente” com “biofilme disbiótico”; tomar “idade/gênero” como risco principal; incluir condições com evidência limitada (hipertensão) como decisivas.
Aplicação clínica: Na anamnese, sempre investigar e abordar tabagismo e controle glicêmico; planejar terapia que reduza a disbiose do biofilme (raspagem/alisamento radicular, controle de placa) e intervir nos modificadores sistêmicos.
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