O ministro saiu do baile da embaixada, embarcando logo
no carro. Desde duas horas estivera a sonhar com aquele
momento. Ansiava estar só, só com o seu pensamento,
pesando bem as palavras que proferira, relembrando as
atitudes e os pasmos olhares dos circunstantes. Por isso
entrara no coupé depressa, sôfrego, sem mesmo reparar
se, de fato, era o seu. Vinha cegamente, tangido por
sentimentos complexos: orgulho, força, valor, vaidade.
Todo ele era um poço de certeza. Estava certo do seu
valor intrínseco; estava certo das suas qualidades
extraordinárias e excepcionais. A respeitosa atitude de
todos e a deferência universal que o cercava eram nada
mais, nada menos que o sinal da convicção geral de ser
ele o resumo do país, a encarnação dos seus anseios.
Nele viviam os doridos queixumes dos humildes e os
espetaculosos desejos dos ricos. As obscuras
determinações das cousas, acertadamente, haviam-no
erguido até ali, e mais alto levá-lo-iam, visto que só ele, ele
só e unicamente, seria capaz de fazer o país chegar aos
destinos que os antecedentes dele impunham...
Autor: Lima Barreto. Trecho extraído da obra Os
Bruzundangas.
Qual é a sensação predominante do ministro quando
ele entra em seu carro após o baile da embaixada?
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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