As normas de concordância verbal encontram-se plenamente res...

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Q3507026 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós


        Em seu livro mais recente, "The Al Mirror" ("O espelho da IA"), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligéncia artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O "risco existencial" para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem quea IA reflete, como o de Narciso em seu lago.


        Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos "os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie - nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria serem afogados no espelho da lA". Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.


        Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.


        Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora. "Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral", pregaa autora, "porque a IA representa uma forte tentação de esquecé-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejaria sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?"


(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025)

As normas de concordância verbal encontram-se plenamente respeitadas na frase:  
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Os presumíveis prejuízos éticos não derivam do uso mesmo da IA , mas do enamoramento nosso pelas vantagens míticas de seu desempenho. 

E

A Os riscos que ameaçam a quem recorram (recorre) aos meios da IA são iminentes, caso não se lancem mão de medidas restritivas. 

B Entre os danos que podem implicar o uso indiscriminado dos meios da IA, enumera-se (enumeram-se) os que nos destituem da condição de sujeitos. 

C Enfatizam-se (enfatiza-se) nos recentes estudos da filósofa americana sobre a IA seu alerta sobre o risco da despersonalização de quem abusem de seus usos. 

D Não cabem (cabe) aos simples usuários da IA tomar medidas preventivas contra os riscos a que se submete por falta de maiores informações. 

E Não derivam do uso mesmo da IA os presumíveis prejuízos éticos, mas do enamoramento nosso pelas vantagens míticas de seu desempenho.  

Questão muito comum na Banca FCC, segue abaixo um resumo de como resolver esse tipo de questão.

• Regra Geral: O verbo concorda em número (singular/plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª) com o seu sujeito.

• Sujeito Posposto: Quando o sujeito aparece depois do verbo, a concordância continua sendo obrigatória com o núcleo do sujeito.

• Voz Passiva Sintética (Verbo + "se"): O verbo deve obrigatoriamente concordar com o sujeito paciente.

Sujeito Oracional: Quando o sujeito é uma oração (geralmente com verbo no infinitivo), o verbo principal deve permanecer na 3ª pessoa do singular.

• Pronome "Quem": Quando o sujeito é o pronome relativo "quem", o verbo fica na 3ª pessoa do singular ou concorda com o antecedente.

Abaixo, desmonto as "pegadinhas" de interpretação literal e sintática presentes na questão:

• A) INCORRETA: "Os riscos que ameaçam a quem recorram aos meios da IA são iminentes, caso não se lancem mão de medidas restritivas."

  ◦ Erro 1: O pronome "quem" exige o verbo no singular (recorra), pois refere-se a uma entidade genérica não especificada.

  ◦ Erro 2: Na expressão "lançar mão de", o termo "mão" é o núcleo do objeto. Em estruturas com a partícula "se" apassivadora, o verbo concorda com o paciente ("mão"); logo, o correto seria "não se lance mão".

• B) INCORRETA: "Entre os danos que podem implicar o uso indiscriminado dos meios da IA, enumera-se os que nos destituem da condição de sujeitos."

  ◦ Erro: O verbo "enumerar" está na voz passiva sintética. O sujeito paciente é plural: "os [danos] que nos destituem". Portanto, o verbo deveria estar no plural: enumeram-se.

• C) INCORRETA: "Enfatizam-se nos recentes estudos da filósofa americana sobre a IA seu alerta sobre o risco da despersonalização de quem abusem de seus usos."

  ◦ Erro 1: O sujeito de "enfatizar" é "seu alerta" (singular). O verbo deve concordar com o núcleo do sujeito, resultando em: Enfatiza-se.

  ◦ Erro 2: Novamente, o pronome "quem" atua como sujeito de uma ideia genérica, exigindo o singular: abuse.

• D) INCORRETA: "Não cabem aos simples usuários da IA tomar medidas preventivas contra os riscos a que se submete por falta de maiores informações."

  ◦ Erro 1: O sujeito do verbo "caber" é a oração "tomar medidas preventivas" (sujeito oracional). Verbos com sujeitos oracionais ficam sempre no singular: cabe.

  ◦ Erro 2: A forma "se submete" refere-se a "usuários" (plural); o correto seria "a que se submetem".

E) CORRETA: "Não derivam do uso mesmo da IA os presumíveis prejuízos éticos, mas do enamoramento nosso pelas vantagens míticas de seu desempenho."

  ◦ Análise: O sujeito está posposto e é plural: "os presumíveis prejuízos éticos". O verbo "derivar" concorda corretamente na 3ª pessoa do plural (derivam).

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