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Q3368285 Medicina
Paciente de 17 anos, sexo feminino, comparece a consulta acompanhada da mãe, que refere que a filha está emagrecendo muito e diminuindo a ingestão alimentar há 6 meses porque tem medo de engordar. A paciente relata que quando se olha no espelho ainda sente que não está no seu peso ideal. Nega episódios de purgação. Ao exame físico apresenta os sinais vitais sem alterações, IMC:15,7 kg/m2 , unhas frágeis e cabelos quebradiços. Qual o provável diagnóstico e o manejo adequado do quadro:
Alternativas

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Tema central: Transtornos alimentares em adolescentes, especialmente a distinção entre anorexia nervosa e bulimia nervosa, e seu manejo.

Diagnóstico provável: Anorexia nervosa, tipo restritivo. Pistas-chave: IMC 15,7 kg/m² (baixo), restrição alimentar, medo intenso de engordar e distorção da imagem corporal, sem purgação. Critérios DSM‑5‑TR: 1) restrição levando a baixo peso; 2) medo de ganhar peso; 3) distorção da percepção corporal. Achados físicos (unhas frágeis, cabelos quebradiços) reforçam desnutrição. Em adolescentes, a apresentação típica é semelhante, e a ausência de amenorreia não é mais exigida para o diagnóstico (DSM‑5‑TR; UpToDate; Diretriz APA 2023; NICE NG69).

Manejo recomendado (alternativa correta: A): Terapia cognitivo-comportamental (idealmente CBT‑E) e, como adjuvante, ISRS quando houver comorbidades (depressão/ansiedade/OCD) ou para prevenção de recaída após recuperação ponderal. Em adolescentes, a terapia baseada na família (FBT/Maudsley) é primeira linha quando disponível. Sempre incluir reabilitação nutricional, monitorização de eletrólitos (P, Mg, K), ECG e sinais de risco (síndrome de realimentação). Evidências: APA 2023; NICE NG69; UpToDate; Harrrison’s.

Estratégia de prova: Identifique as palavras-âncora: baixo IMC + restrição + medo de engordar + distorção da imagem → anorexia. Pegadinha: negar purgação não exclui anorexia (pelo contrário, sugere subtipo restritivo). Outra pegadinha: ISRS têm eficácia limitada no ganho de peso durante baixo IMC, mas são cobrados como adjuvantes para comorbidades/recidiva.

Análise das alternativas:

A) Correta. Anorexia nervosa; TCC é base psicoterápica. ISRS podem ser usados como adjuvantes para comorbidades e manutenção após recuperação ponderal (APA 2023; NICE NG69; UpToDate).

B) Incorreta. Anticonvulsivantes (ex.: topiramato) não são indicados na anorexia; podem reduzir apetite e piorar perda ponderal e cognição. Não constam como terapia de escolha em diretrizes.

C) Incorreta. O quadro não é bulimia (em bulimia há compulsões com comportamentos compensatórios e tipicamente IMC normal). Embora TCC + fluoxetina seja tratamento de bulimia, o diagnóstico está errado aqui.

D) Incorreta. Erra no diagnóstico (não é bulimia) e na terapêutica (anticonvulsivantes não são recomendados).

Complementos úteis na prática: Solicitar hemograma, eletrólitos, fósforo, magnésio, função tireoidiana, EAS e ECG; avaliar risco/hospitalização se instabilidade hemodinâmica, arritmias, hipocalemia/hifosfatemia, ou IMC muito baixo. Em adolescentes, preferir abordagem multidisciplinar e FBT quando possível.

Referências: DSM‑5‑TR; American Psychiatric Association Practice Guideline for Eating Disorders (2023); NICE NG69 (Eating disorders) atualizado; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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