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Q3368271 Medicina
Mulher, 55 anos, admitida no Pronto-Socorro, com história de redução da diurese progressivamente há algumas semanas, com anúria há 2 dias, náuseas, fraqueza muscular e parestesias em membros inferiores. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, taquicárdica 115 bpm, presença de massa abdominal dolorosa palpável em região de hipogástrio, dimensões aproximadas de 10cm x 8cm, edema 2+ em MMSS e 3+ em MMII. Realizada sondagem vesical, sem débito urinário. Exames laboratoriais: Hb 10,2, Plaquetas 205.000, Leucócitos 10.200, PCR 6 mg/dl, Creatinina 9,1 mg/dl, Ureia 50 mg/dl, Potássio 7,0 mmol/L, Sódio 135 mmol/L, Magnésio 2,5 mg/dl, Gasometria arterial: pH 7,30, Bic 13, pO2 85, pCO2 28, Glicose 105. Qual a primeira conduta a ser tomada neste caso?
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Gabarito comentado

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Tema central: Hipercalemia grave em contexto de insuficiência renal aguda pós-renal (obstrução), com risco iminente de arritmia cardíaca.

Comentário:

Paciente com anúria, creatinina elevada (9,1 mg/dl) e potássio sérico de 7,0 mmol/L, associa sintomas musculares e alterações laboratoriais graves (acidose metabólica: pH 7,30; HCO3- 13). Esses achados são consistentes com emergência metabólica e risco de vida.

Justificativa da alternativa correta (C):

O manejo imediato da hipercalemia potencialmente ameaçadora à vida depende de avaliar a presença de alterações eletrocardiográficas. Segundo os protocolos nacionais, como o Protocolo de Manejo Clínico de Paciente com Hipercalemia do HUAC-UFCG:

“Gluconato de cálcio 10% 10 ml IV em 5 a 10 min (se houver alterações no ECG).”

O cloreto de cálcio estabiliza rapidamente a membrana cardíaca, prevenindo arritmias fatais. Assim, solicitar ECG e, se alterações, administrar cálcio IV é a conduta imediata. Trata-se de salvaguardar a vida — a prioridade máxima.

Análise das alternativas incorretas:

A) Priorizar exames de imagem antes de estabilizar o quadro metabólico é equivocado frente ao risco iminente de arritmia pela hipercalemia. Avaliar massa abdominal é relevante, mas não precede o manejo da hipercalemia com risco imediato.

B) Solução polarizada e beta2-agonista (shift transcelular) são úteis, mas não estabilizam a membrana miocárdica. Sem o uso imediato do cálcio IV, o paciente segue vulnerável a arritmias fatais.

D) Embora a situação configure uma emergência dialítica, a estabilização cardiovascular deve preceder a hemodiálise. O manejo inicial da hipercalemia é mandatário antes de transferir ou acionar Nefrologia.

Estratégias para a prova:

Em quadros de distúrbios eletrolíticos graves, sempre priorize intervenções que impeçam morte súbita. Atenção às palavras-chave como “primeira conduta” e ao contexto clínico que indique risco imediato (alterações de potássio, sintomas cardíacos/neurológicos).

Evidência científica: Segundo o Protocolo do HULW-UFPB, seção "Manejo da Hipercalemia": “O gluconato de cálcio a 10% pode ser usado em pacientes com sintomas cardíacos para estabilizar o potencial de membrana e influenciar positivamente as alterações do ECG.”

Resumo: A estabilização da membrana cardíaca com cálcio IV é a medida de escolha imediata em casos de hipercalemia grave. Valorize o risco cardíaco à frente de demais abordagens iniciais.

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