Como seres da cultura, atribuímos sentido a tudo o que vemos...

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Q3679699 Educação Artística
Como seres da cultura, atribuímos sentido a tudo o que vemos. Compreender este fenômeno é trilhar um campo minado por muitos conceitos vinculados a teorias, modos de pensar que se articulam e se modificam ao longo dos tempos. Para o filósofo grego Platão, cabia aos homens apenas a produção de mimesis, simulacros, meras aparências, pois a criação perfeita seria possível apenas para o Demiurgo, o Deus que cria o universo. Para Aristóteles, discípulo de Platão, o conceito de mimese estava ligado á ideia da reprodução seletiva. É como se o artista, com sua techné, buscasse o mais característico de uma pessoa ou coisa, criando um realismo sublimado. É nisso que se fundamentava Zêuxis quando, para pintar a mais bela Helena, combinou o melhor dos cinco modelos. Ele queria o mais puro realismo e, assim, tornou sublime a representação de Helena, pois a queria a mais perfeita possível. A mímica, por exemplo, é uma espressão cujo nome nasce na mesma raíz da palavra mimese. O mímico, apenas utilizando o gestual, dando ênfase aos olhos e à boca no rosto maquiado, realiza gestos pautados em suas observação atenta e sensível, buscando o que é mais característico em cada movimento. E o leitor, mesmo a criança, lê a cena com facilidade, pois o mímico seleciona seus gestos, buscando a clareza e a simplicidade.
MARTINS, Miriam Celeste; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, M. Terezinha. Didática do Ensino da Arte – A Língua do Mundo. Poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998.

Com base no texto, analise as afirmações a seguir:
I - O mímico imita os gestos, evidenciando signos que chegam à nossa imaginação, sentimentos e pensamentos carregados de significados.
II - O caráter da mimese, é analogia e não duplicação de objetos. O ritmo das canções guerreiras, por exemplo, não reproduz diretamente o som das ações bélicas, mas lembra o caráter - o ethos - , a atitude psicológica e moral dos soldados em luta que se fazem presentes pela techné e pela poiesis de um artista.
III - A mimese é uma operação idêntica para todos os povos, em todas as épocas, para todas as idades do homem. O signo criado é o mesmo apesar da ênfase e a exclusão que cada criador seleciona em sua ação de interpretar, expressar, comunicar.
IV - O conceito de reprodução, perigosamente, pode nos levar a reduzir a produção artística a uma relação direta com algo da realidade, como uma tradução do mundo real.
V - A arte não imita objetos, ideias ou conceitos. Ela cria algo novo, porque não é cópia ou pura reprodução, mas cria signos presentificados em uma nova realidade, sob um outro ponto de vista.

Na perspectiva das autoras, estão corretas as afirmações: 
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