Sobre o cimento de ionômero de vidro, informe se é verdadei...
Sobre o cimento de ionômero de vidro, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) para o que se afirma e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Os cimentos de ionômero de vidro são classificados em tipo I: para cimentação, tipo II: cimentos para restauração, tipo III: cimentos para base ou forramento e para selamento de fossas e fissuras, e tipo IV: cimentos resino-modificados, englobando todas as aplicações.
( ) O uso dos cimentos de ionômero de vidro na odontopediatria pode ser considerado bastante adequado na odontopediatria, dentro da prática minimamente invasiva.
( ) O cimento de ionômero de vidro é o material de escolha para o tratamento restaurador atraumático, principalmente por apresentar adesão físicoquímica, tanto ao esmalte quanto à dentina, redução da velocidade de progressão de novas lesões de cárie ao redor das restaurações, liberação e incorporação de flúor.
( ) O fluoreto, que se encontra nas partículas de vidro, quando da formação do cimento, vai liberando seus íons flúor na etapa viscosa, e esses vão se prendendo à matriz de gel.
Gabarito comentado
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Tema central: Cimento de Ionômero de Vidro (CIV) — material odontológico que endurece por reação ácido–base entre vidro fluoraluminosilicato e ácido poliacrílico, com adesão físico-química ao esmalte/dentina e liberação/reincorporação de flúor. Amplamente usado em odontopediatria e na filosofia de mínima intervenção (p.ex., ART).
Gabarito: A — V – V – V – F
1) Verdadeiro. A classificação tradicional dos CIVs contempla: Tipo I (cimentação), Tipo II (restauração), Tipo III (base/forramento e selantes) e os resino-modificados (RMGIC), frequentemente referidos como uma categoria que abrange aplicações de cimentação, restauração e forramento. Essa organização funcional é apresentada em textos clássicos (Phillips; Mount & Hume).
2) Verdadeiro. Em odontopediatria, os CIVs são altamente indicados na prática minimamente invasiva por: adesão química sem condicionamento agressivo, tolerância moderada à umidade, liberação de flúor e execução rápida — úteis em crianças e em cavidades pouco retentivas (Philips; UpToDate).
3) Verdadeiro. No Tratamento Restaurador Atraumático (ART), o CIV, especialmente o de alta viscosidade, é o material de eleição: adere quimicamente, libera flúor, pode ser “recarregado” e reduz a progressão de cárie secundária ao redor das restaurações (OMS/WHO ART guidelines; FDI policy statements).
4) Falso. Pegadinha: o fluoreto não se liga à matriz de gel como agente de reticulação. Quem forma a matriz são, sobretudo, íons Ca²⁺ e Al³⁺. O F⁻ é majoritariamente móvel no sistema, difunde-se e pode ser liberado e posteriormente reincorporado (“recharge”) (Phillips; McCabe & Walls).
Por que as outras alternativas estão erradas?
B (V–V–F–V): erra ao considerar a 3ª como F (é verdadeira no contexto do ART) e a 4ª como V (é falsa; F⁻ não participa da matriz).
C (V–F–V–V): erra a 2ª (CIV é adequado à odontopediatria e à mínima intervenção) e a 4ª (permanece falsa).
D (F–V–V–V): erra a 1ª (classificação aceita em materiais dentários) e a 4ª (continua falsa).
Dicas de prova: associe ART = CIV de alta viscosidade; lembre que Ca²⁺/Al³⁺ formam a matriz; fluoreto é liberado e recarregado, não “preso” ao gel. Em classificação, foque nos Tipos I–III (convencionais) e nos resino-modificados como categoria clínica ampla.
Referências essenciais: Phillips’ Science of Dental Materials; Mount & Hume – Preservation and Restoration of Tooth Structure; McCabe & Walls – Applied Dental Materials; WHO/OMS – Atraumatic Restorative Treatment (ART) guidelines; FDI Policy Statements sobre GIC/ART.
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