Marque, entre as alternativas a seguir, aquela que apresent...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2466309 Português

Leia o texto a seguir e responda da questão.


ISOLAR CRIANÇAS EM ESCOLAS ESPECIAIS É RETROCESSO HUMANO E SOCIAL


Jairo Marques


    Ressurgem no Congresso Nacional e no âmbito do governo federal discussões para que o Brasil volte a adotar o modelo de escolas especiais exclusivas para crianças com deficiência, sobretudo para aquelas com comprometimentos cognitivos severos ou com comportamento que foge muito ao que se tem de padrão: um aluno calado, sentado na carteira escolar e que não dá trabalho.

    Depois de décadas de discussão, o país passou a adotar a escola do “todos juntos”, em que, independentemente das características físicas, sensoriais ou intelectuais de um pequeno, ele estará na sala de aula ao lado das demais crianças, aprendendo a seu modo, com apoio dos instrumentos pedagógicos e da tecnologia possível para lhe dar o suporte necessário a compreender conteúdos.

    Neste modelo, que é moderno e que conversa com a realidade das nações com os melhores desempenhos educacionais do planeta, a preocupação maior recai sobre a criança e a construção de suas experiências humanas, de relacionamento, de criação de estratégias para o convívio social e todos os seus desafios, majorados obviamente pela deficiência.

    Na escola inclusiva, a menina down tem visibilidade em seu modo de atuar, o menino com autismo mostra que há outras maneiras de interação e o garoto surdo pode expandir a cultura de usar os sinais durante a comunicação. Criança não precisa de gueto, criança precisa mergulhar por mares de pluralidades para encontrar-se como indivíduo. Porém, aspectos que guardam relação com a proteção, com o conteudismo educacional, com um suposto abandono da criança com deficiência na escola têm apelo fortíssimo em corações que, até hoje, veem a diferença com piedade, com assistencialismo, não como característica humana.

    Um pequeno com nanismo precisa de uma escola só de anões para não sofrer bullying. Mas, a lógica não seria ensinar aos alunos sem nanismo o respeito ao próximo, os valores do diverso, os efeitos da violência emocional tanto para o agressor como para o agredido? 

    Outro argumento flácido e repetitivo contra o todos juntos na educação é que aquela menina com paralisia cerebral não entende matemática, é mais lenta para escrever e não acompanha a turma.

    Por trás desse raciocínio, está a punição pelo não enquadramento em modelos, o desrespeito à capacidade de cada um de absorver conhecimento de maneira distinta e a necessidade de uniformizar o que é potencialmente mais vantajoso para todos sendo multiforme.

    O que vejo como mais brutal nesse pensamento de apartamento escolar é não enxergar os ranços, o atraso e os prejuízos que a escola especial trouxe para diversas gerações de pessoas com deficiência –guardados os devidos méritos pela assistência oferecida no passado.

    O isolamento faz perpetuar o pensamento da inviabilidade da vida em sociedade, cria estigmas, cria medos, cria asco de reações desconhecidas, cria subumanos.

    Legitimar que a diversidade tenha o direito à educação exercido em campos de exclusividade às avessas –ou alguém vai colocar seu filho todo fofinho para estudar onde só há crianças tachadas de superagitadas? – é permitir que da infância sejam tragados seus poderes de adaptação, de germinar vínculos múltiplos, de fomento à criatividade.

    Na escola em que a invisibilidade dos alunos impera, é mais simples controlar cobranças, de criar métricas qualitativas e de não chamar a atenção. É mais simples de apaziguar pais preocupados com a assistência a seus filhos, porque, em último grau, sempre poderá ser dito: ali é o lugar dele. Mas, o lugar da diversidade é onde ela bem entender. De preferência, em todos os lugares.


Disponível em: <https://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br>

Marque, entre as alternativas a seguir, aquela que apresenta um caso de crase semelhante ao presente no trecho “[...] desrespeito à capacidade de cada um de absorver conhecimento [...]” do texto acima.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Uso da crase por regência nominal

A questão trata do emprego correto da crase (à) em construções similares à do trecho “desrespeito à capacidade de cada um”. Aqui, a crase surge por fusão da preposição exigida pelo substantivo “desrespeito” com o artigo feminino “a”, antes de “capacidade”. Portanto, envolve regência nominal de substantivo seguido de sintagma nominal feminino.

Alternativa correta: A
O texto de Jairo Marques faz referência à inclusão de crianças com necessidades especiais.

Neste caso, o substantivo “referência” exige a preposição "a", e “inclusão” está introduzida pelo artigo feminino singular. Assim, há fusão: à inclusão. É o mesmo mecanismo morfossintático do trecho citado, baseado na regência nominal. Como defendem Bechara e Cunha & Cintra, o emprego da crase é obrigatório quando há substantivo regente, preposição “a” e nome feminino precedido de artigo.

Análise das alternativas incorretas:

B) À medida que o tempo passa...
A crase ocorre por locução conjuntiva fixa (“à medida que”), não por regência nominal.

C) Machado de Assis era um autor à frente do seu tempo.
"À frente de" é locução prepositiva feminina fixa; o motivo da crase aqui é outro, não regência nominal.

D) O professor chegou às 16 horas em ponto.
A crase marca a indicação de horas, regra específica (Bechara), portanto distinta do trecho referência.

E) À noite, estaremos todos em casa.
"À noite" é locução adverbial feminina de tempo: crase obrigatória por convenção, e não regência nominal.

Estratégias para prova:
Ao identificar crase, busque:

  • Se há substantivo regente que exige preposição "a" e termo feminino com artigo.
  • Diferencie de casos em locuções fixas e indicações de tempo/hora, que têm regras próprias.

Conclusão: A opção A é a única cuja crase resulta de regência nominal semelhante ao caso do texto, como preconizam as gramáticas de referência.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Loc Prepositiva de Base feminina= A espera DE

A frase fornecida é: "[...] desrespeito à capacidade de cada um de absorver conhecimento [...]". Aqui, a crase ocorre devido à fusão da preposição "a" com o artigo definido feminino "a", resultando em "à".

Analisando as alternativas:

A) "O texto de Jairo Marques faz referência à inclusão de crianças com necessidades especiais."

Nesta alternativa, também há a fusão da preposição "a" com o artigo definido feminino "a", resultando em "à". Portanto, a alternativa A está correta.

O verbo “fazer referência” exige a preposição “a” (fazer referência a algo).

O substantivo “inclusão” vem com o artigo feminino “a”.

Assim, ocorre a junção da preposição + artigo = à (crase).

Regra: crase ocorre quando há fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a”.

Aqui também há crase, mas é uma locução conjuntiva (“à medida que”) e não um caso idêntico ao do texto,

porque no texto a crase surge da regência verbal/substantiva (“desrespeito à capacidade”).

Já “à medida que” é uma expressão fixa, sem relação de regência.

Erro: tipo de crase diferente — locução conjuntiva, e não fusão de preposição + artigo por regência.

Aqui também há crase, mas é uma locução prepositiva (“à frente de”).

Assim como a anterior, não resulta de regência, e sim de uma expressão cristalizada.

Erro: tipo de crase diferente — locução prepositiva, não regência.

A crase aqui ocorre antes de horas determinadas, outra situação específica de uso da crase,

mas não tem relação com o tipo do texto (“desrespeito à capacidade”).

Erro: também é caso de crase, mas motivado por indicação de hora, e não por regência.

Novamente há crase, mas por se tratar de uma locução adverbial feminina de tempo (“à noite”).

No texto, a crase vem de regência, e aqui é locução adverbial.

Erro: tipo de crase diferente — locução adverbial, não regência.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo