Na oração “[...] um pequeno com nanismo precisa de uma esco...
Leia o texto a seguir e responda da questão.
ISOLAR CRIANÇAS EM ESCOLAS ESPECIAIS É RETROCESSO HUMANO E SOCIAL
Jairo Marques
Ressurgem no Congresso Nacional e no âmbito do governo federal discussões para que o Brasil volte a adotar o modelo de escolas especiais exclusivas para crianças com deficiência, sobretudo para aquelas com comprometimentos cognitivos severos ou com comportamento que foge muito ao que se tem de padrão: um aluno calado, sentado na carteira escolar e que não dá trabalho.
Depois de décadas de discussão, o país passou a adotar a escola do “todos juntos”, em que, independentemente das características físicas, sensoriais ou intelectuais de um pequeno, ele estará na sala de aula ao lado das demais crianças, aprendendo a seu modo, com apoio dos instrumentos pedagógicos e da tecnologia possível para lhe dar o suporte necessário a compreender conteúdos.
Neste modelo, que é moderno e que conversa com a realidade das nações com os melhores desempenhos educacionais do planeta, a preocupação maior recai sobre a criança e a construção de suas experiências humanas, de relacionamento, de criação de estratégias para o convívio social e todos os seus desafios, majorados obviamente pela deficiência.
Na escola inclusiva, a menina down tem visibilidade em seu modo de atuar, o menino com autismo mostra que há outras maneiras de interação e o garoto surdo pode expandir a cultura de usar os sinais durante a comunicação. Criança não precisa de gueto, criança precisa mergulhar por mares de pluralidades para encontrar-se como indivíduo. Porém, aspectos que guardam relação com a proteção, com o conteudismo educacional, com um suposto abandono da criança com deficiência na escola têm apelo fortíssimo em corações que, até hoje, veem a diferença com piedade, com assistencialismo, não como característica humana.
Um pequeno com nanismo precisa de uma escola só de anões para não sofrer bullying. Mas, a lógica não seria ensinar aos alunos sem nanismo o respeito ao próximo, os valores do diverso, os efeitos da violência emocional tanto para o agressor como para o agredido?
Outro argumento flácido e repetitivo contra o todos juntos na educação é que aquela menina com paralisia cerebral não entende matemática, é mais lenta para escrever e não acompanha a turma.
Por trás desse raciocínio, está a punição pelo não enquadramento em modelos, o desrespeito à capacidade de cada um de absorver conhecimento de maneira distinta e a necessidade de uniformizar o que é potencialmente mais vantajoso para todos sendo multiforme.
O que vejo como mais brutal nesse pensamento de apartamento escolar é não enxergar os ranços, o atraso e os prejuízos que a escola especial trouxe para diversas gerações de pessoas com deficiência –guardados os devidos méritos pela assistência oferecida no passado.
O isolamento faz perpetuar o pensamento da inviabilidade da vida em sociedade, cria estigmas, cria medos, cria asco de reações desconhecidas, cria subumanos.
Legitimar que a diversidade tenha o direito à educação exercido em campos de exclusividade às avessas –ou alguém vai colocar seu filho todo fofinho para estudar onde só há crianças tachadas de superagitadas? – é permitir que da infância sejam tragados seus poderes de adaptação, de germinar vínculos múltiplos, de fomento à criatividade.
Na escola em que a invisibilidade dos alunos impera, é mais simples controlar cobranças, de criar métricas qualitativas e de não chamar a atenção. É mais simples de apaziguar pais preocupados com a assistência a seus filhos, porque, em último grau, sempre poderá ser dito: ali é o lugar dele. Mas, o lugar da diversidade é onde ela bem entender. De preferência, em todos os lugares.
Disponível em: <https://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br>
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Tema central: Função sintática e substantivação de adjetivos
Para resolver essa questão, é fundamental entender dois pontos da gramática: substantivação de adjetivo e função sintática do substantivo na oração.
1. Substantivação de adjetivo:
Ocorre quando um adjetivo passa a desempenhar função de substantivo, geralmente precedido por artigo ou determinante. Nos termos de Celso Cunha & Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), isso ocorre quando o adjetivo deixa de qualificar diretamente um substantivo, assumindo papel de núcleo significativo: exemplo clássico — “o inteligente se destaca”.
No trecho analisado ("um pequeno com nanismo"), “pequeno” é um adjetivo que, ao vir precedido do artigo indefinido “um”, foi substantivado e passou a designar um pequeno (ou seja, uma criança pequena, metonimicamente usada para “criança com nanismo” no contexto).
2. Função sintática:
Pergunte-se ao verbo "precisa": quem precisa? Resposta: "um pequeno com nanismo". Assim, trata-se do suporte do verbo, ou seja, o sujeito. O núcleo do sujeito é o termo mais importante dentro desse grupo, revelando o “sobre quem” se fala. Neste caso, “pequeno” é o centro do sintagma nominal, e “com nanismo” apenas o qualifica.
Portanto, a alternativa correta é:
C) núcleo do sujeito.
Análise das alternativas incorretas:
A) Objeto direto: Não se trata de termo que sofre a ação verbal.
B) Adjunto adnominal: Não está atribuindo característica a um substantivo, mas é o núcleo.
D) Complemento nominal: Não completa sentido de um nome.
E) Adjunto adverbial: Não exprime circunstância.
Dica de prova: Identifique sempre o verbo, pergunte 'quem faz?' e localize o núcleo do sujeito!
Referências: Cunha & Cintra, Bechara
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Comentários
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GAB:C
“[...] um pequeno com nanismo precisa de uma escola só de anões [...]”
''Pequeno'' esta atuando como sujeito da oração , e nesse contexto só cabe a essa palavra a função sintática de núcleo do sujeito.
Ao fazermos a análise sintática deste trecho vemos que "um pequeno com nanismo " é o sujeito simples da oração e a palavra "pequeno" é classificada como núcleo do sujeito, pois é a palavra principal daquilo que está sendo declarado.
- C) núcleo do sujeito: O núcleo do sujeito é a palavra mais importante da estrutura do sujeito, geralmente um substantivo ou um pronome. Na oração, o sujeito é "um pequeno com nanismo", e a palavra principal que atua como substantivo é "pequeno", que era um adjetivo mas foi substantivado pela presença do artigo indefinido "um". Portanto, "pequeno" é o núcleo do sujeito.
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