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Q3913343 Medicina
Um pré-escolar de 3 anos é trazido à emergência com início súbito de febre alta (40°C), disfagia, sialorreia intensa e voz abafada ("voz de batata quente"). A criança está sentada em posição de "tripé", ansiosa, com estridor inspiratório de tom baixo. A radiografia cervical lateral, se realizada, mostraria o "sinal do polegar". Qual é o diagnóstico e a conduta imediata para garantir a via aérea?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso reúne os achados clássicos de epiglotite aguda — febre alta, disfagia, sialorreia, voz abafada, posição de tripé, estridor e sinal do polegar —, quadro que aponta para obstrução supraglótica iminente e exige proteção da via aérea em ambiente controlado, sem manipulação da orofaringe.

Tema central: Epiglotite aguda
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o conjunto clínico-radiológico é clássico de epiglotite aguda. O sinal do polegar na radiografia lateral cervical reforça edema de epiglote. Diante desse cenário, a conduta tecnicamente correta é garantir via aérea definitiva em ambiente controlado, por profissional experiente, evitando exame ou manipulação desnecessária da orofaringe, que pode precipitar obstrução completa.
B
Errada
Está errada porque abscesso periamigdaliano não explica adequadamente o conjunto tripé + estridor inspiratório + sialorreia intensa + sinal do polegar. O diagnóstico esperado nesse abscesso exige achados como abaulamento peritonsilar, trismo e desvio de úvula, que não aparecem na base. Além disso, punção e drenagem na sala de emergência não tratam o problema principal deste caso, que é a via aérea supraglótica sob risco de obstrução.
C
Errada
Está errada porque, embora traqueíte bacteriana entre no diferencial do estridor febril, o enunciado localiza a obstrução em supraglote, não em traqueia: sialorreia importante, disfagia, posição de tripé e sinal do polegar favorecem epiglotite. A conduta proposta também é dirigida a secreções espessas e pseudomembranas traqueais, mecanismo que não corresponde ao padrão clínico decisivo apresentado.
D
Errada
Está errada porque crupe costuma cursar com pródromo viral, tosse ladrante e rouquidão, geralmente sem sialorreia marcante e sem posição de tripé. Aqui há febre muito alta, aspecto tóxico, incapacidade de deglutir saliva e sinal do polegar, o que afasta o fenótipo habitual de laringite viral aguda. Limitar a conduta a dexametasona, adrenalina inalatória e observação por 2 horas é inadequado e potencialmente perigoso num quadro de provável epiglotite com risco de obstrução abrupta.
Pegadinha da questão
A banca mistura dois gatilhos comuns de confusão: a expressão "voz de batata quente", que pode lembrar abscesso periamigdaliano, e o estridor em criança, que pode levar a crupe. O que desfaz a dúvida é o bloco sialorreia intensa + tripé + febre alta + sinal do polegar, que aponta para epiglotite.
Dica para questões semelhantes
  • Em criança com estridor, diferencie pela síndrome dominante: sialorreia, disfagia e tripé apontam para obstrução supraglótica, não para crupe simples.
  • Se o enunciado trouxer sinal do polegar na radiografia lateral cervical, pense em epiglotite.
  • Na suspeita de epiglotite, o passo decisivo não é examinar a garganta; é proteger a via aérea em ambiente controlado.
  • Não deixe a presença de "voz abafada" isoladamente deslocar o diagnóstico para abscesso periamigdaliano quando os demais achados localizam a lesão na epiglote.

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