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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP Prova: VUNESP - 2024 - TJ-SP - Psicólogo Judiciário |
Q3543295 Português
Assalto

        Na feira, a senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:

        — Isto é um assalto!

        Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira, atravancada, mas provida de admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?

        — Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a exclamar, e quem não tinha escutado escutou, multiplicando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.

        Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?

(Carlos Drummond de Andrade, 70 historinhas. Adaptado)
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Alternativas

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Tema Central da Questão: Esta questão explora interpretação de texto com foco em figuras de linguagem, especificamente a personificação (ou prosopopeia). É essencial reconhecer, em provas de concursos, passagens em que o autor atribui ações ou características humanas a seres inanimados ou irracionais, conforme orienta a norma-padrão da Língua Portuguesa (vide Bechara, 2003).

Justificativa para a Alternativa Correta (C):

A alternativa C apresenta o trecho: “Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial”. Há aqui dois elementos fundamentais:

  • Personificação – A “voz” assume uma ação (“subindo”) que, em sentido literal, pertence a seres vivos.
  • Comparação – A voz é comparada a uma “sirena policial”. Esse recurso reforça a expressividade do texto.

Por essas razões, a alternativa C é a correta, pois materializa o emprego do sentido figurado via personificação e metáfora, em sintonia com a definição dos principais gramáticos (Cunha & Cintra, 2008).

Análise das Alternativas Incorretas:

  • A) Descrição direta da ação de reclamar; ausência de sentido figurado.
  • B) Narração literal dos fatos (“pacotes rasgavam-se”); não há figura de linguagem relevante.
  • D) Relato objetivo do movimento das pessoas; sem figuras de linguagem.
  • E) Construção de raciocínio lógico sobre a existência do banco, sem emprego de linguagem figurada.

Como identificar esse tipo de questão?

Dê atenção a expressões que atribuem sentimentos, ações ou aspectos humanos a objetos. Busque por verbos ou adjetivos normalmente aplicados a pessoas, empregados a coisas ou seres inanimados. Fique atento: provas costumam inserir descrições vívidas, mas nem toda ênfase é figura de linguagem.

Resumo para fixação: Personificação/prosopopeia consiste em atribuir atos ou atributos humanos a seres inanimados ou irracionais. Reconheça sempre o ponto em que o texto ultrapassa o literal, conferindo expressividade e sentido figurado.

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Alternativa C

mar de barracas e legumes - sentido figurado

A alternativa correta é a C.

Esta questão foca na identificação da linguagem figurada (conotativa), em que as palavras assumem sentidos simbólicos ou comparativos para ampliar o significado do texto.

  • C) Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial (4º parágrafo)
  • Metáfora/Hipérbole: O termo "mar" não se refere a uma grande massa de água salgada, mas sim a uma grande quantidade de barracas, criando uma imagem visual de imensidão e confusão típica de uma feira.
  • Símile (Comparação): O autor utiliza o conectivo "como" para comparar a voz da senhora a uma sirene policial, atribuindo à voz uma característica de alerta e urgência que ela não possui literalmente.

Nas demais alternativas, as palavras são empregadas em seu sentido denotativo (literal/dicionário):

  • A) "Feira", "protestou", "brados" (gritos) e "preço" descrevem exatamente o que aconteceu na realidade física da cena.
  • B) "Responsáveis", "transporte", "fuga" e "pacotes rasgavam-se" indicam ações e estados concretos.
  • D) "Fugiram", "alguém", "correndo" e "guarda" relatam fatos literais do movimento na rua.
  • E) "Banco" e "rua" referem-se às instituições financeiras e à via pública de forma direta.

A Vunesp adora cobrar a distinção entre o literal e o figurado em textos literários. Lembre-se: se a palavra evoca uma imagem mental que não corresponde à realidade física (como um "mar de barracas"), você está diante de linguagem figurada.

FOTE GEMINI.

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