A conjunção mas une duas ideias, expressando a relação de:

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Q377539 Português
        TEXTO: Letal é o crack


        O debate sobre a presença das chamadas armas de choque no programa “Crack, é possível vencer”, do Ministério da Justiça, precisa ser mais bem compreendido. Essa droga devastadora provoca um drama que assusta e comove a todos, e traz à tona uma triste realidade. Está ali a prova de que a família, a sociedade e a educação como um todo falharam. Hoje, além de uma questão de saúde pública, o crack virou problema de segurança pública.
        Em uma ponta, estão os dependentes que precisam urgentemente de ajuda. Na outra a população que se depara diariamente com os ameaçadores zumbis nas ruas da cidade e os profissionais que vão a campo fazer o trabalho de acolhimento para encaminhá-los a tratamento.
        Acontece que, muitas vezes, esses indivíduos se encontram extremamente agressivos. Como agir numa situação assim? Não fazer nada? Conter a fúria por arma de fogo? A resposta passa pelo uso proporcional da força, defendido pela ONU, no qual as tecnologias não letais têm papel central - entre elas estão as armas de choque, o spray de pimenta e a munição de borracha, entre outros.
        A adoção de armas de choque nessas operações tem como objetivo dar ao agente da lei, devidamente treinado, uma ferramenta para controlar uma possível reação agressiva, reduzindo ao máximo seu risco de vida e preservando a integridade dos profissionais envolvidos na operação e dos próprios viciados.
        A ideia não é distribuir choques indiscriminadamente, mas somente quando todas as etapas anteriores do uso progressivo da força, tal qual defendido pela ONU (conversa, advertência, spray de pimenta, técnicas corporais de imobilização - quando viáveis), não forem suficientes. O choque é o último grau a ser usado antes da arma de fogo.
        O problema das drogas, problema no mundo todo, se agravou com o crack, que precisa ser contido de forma contundente, em nome da recuperação de uma geração de jovens que estão perdendo a luta para a droga - esta sim, letal.

                Ricardo Balestreri (ex-secretário nacional de Segurança Pública)
                        O Globo, 02 de dezembro de 2012, 1º caderno, página 15.

A conjunção mas une duas ideias, expressando a relação de:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No trecho “A ideia não é distribuir choques indiscriminadamente, mas somente quando todas as etapas anteriores do uso progressivo da força [...] não forem suficientes.”, a conjunção “mas” liga segmentos com orientação opositiva: nega-se o uso indiscriminado e contrapõe-se a ele o uso apenas em situação-limite. Essa relação de contraste sustenta o gabarito C.

Tema central: valor semântico de mas
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Não há alternância entre possibilidades excludentes. O texto opõe uma conduta rejeitada a outra admitida sob condição, o que caracteriza contraste, não alternância.
B
Errada
Incorreta. O segundo segmento não explica o primeiro; ele o contrapõe e o restringe. A relação é adversativa, não explicativa.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o “mas” estabelece contraste entre “não é distribuir choques indiscriminadamente” e “somente quando todas as etapas anteriores [...] não forem suficientes”. O primeiro segmento rejeita uma prática; o segundo admite o uso apenas de forma restrita e excepcional. O nexo é adversativo.
D
Errada
Incorreta. Não se trata de simples adição de informação. O “mas” introduz oposição entre o uso indiscriminado e o uso excepcional do choque, excluindo o valor aditivo.
Pegadinha da questão
A banca explora a possibilidade de o segundo segmento parecer apenas um detalhamento do primeiro. No entanto, o “mas” não soma nem explica: ele contrapõe o uso indiscriminado ao uso excepcional e condicionado.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o conector soma, explica ou opõe as ideias ligadas.
  • Em construções com negação seguida de “mas”, observe se há rejeição de uma conduta e contraposição de outra mais restrita.
  • Julgue o valor da conjunção pelo contexto, não pela classificação isolada.

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Comentários

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 A palavra mas é usada, principalmente, com sentido de porém, todavia, contudo. A palavra mais indica, principalmente, o aumento da quantidade, sendo antônima de menos. O MAS como conjunção adversativa tem sentido de uma oposição ou limitação.

Comunicam a ideia de oposição, contraste ou compensação entre dois termos, podendo gerar também um sentido de consequência a algo dito anteriormente:

mas / porém / todavia / entretanto / no entanto / senão / não obstante / contudo

Gab.: C

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