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Q4111525 Direito Digital
Em uma ação civil proposta por associação de moradores, os autores alegaram que o Município, ao implementar um sistema de vigilância com câmeras em alta definição voltadas para vias públicas, estaria realizando monitoramento indiscriminado de pedestres, incluindo mecanismos de reconhecimento facial, sem lei específica autorizadora. O Procurador Municipal foi chamado a emitir parecer quanto à compatibilidade da medida com o regime constitucional de proteção de dados, considerando o impacto sobre a privacidade e a proporcionalidade do poder estatal na coleta automatizada de informações sensíveis. Diante desse contexto, qual interpretação se harmoniza com os limites constitucionais aplicáveis?
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A alternativa correta é a B: A coleta massiva de dados sensíveis sem lei específica viola o conteúdo essencial do direito fundamental à proteção de dados pessoais.

O reconhecimento facial lida com "Dados Sensíveis" Na LGPD, nem todo dado é tratado da mesma forma. Os mecanismos de reconhecimento facial utilizam dados biométricos. A lei classifica expressamente os dados biométricos (junto com dados sobre saúde, origem racial, religião, etc.) como dados pessoais sensíveis. Por serem mais íntimos e terem maior potencial de gerar discriminação, a lei impõe regras e limites muito mais rigorosos para que eles sejam coletados e utilizados. Logo, a alternativa "A" está incorreta, pois dados faciais exigem, sim, tratamento jurídico distinto.

Para que a Administração Pública (como um Município) possa tratar dados sensíveis sem o consentimento dos cidadãos, a medida deve ser indispensável para a execução de políticas públicas que estejam previstas em leis ou regulamentos. Além disso, mesmo que o Município argumentasse que as câmeras são para fins exclusivos de segurança pública, a LGPD estabelece que o tratamento de dados para esse fim deve ser regido por legislação específica. Essa legislação é obrigatória para prever "medidas proporcionais e estritamente necessárias ao atendimento do interesse público, observando o devido processo legal [e] os princípios gerais de proteção". Portanto, a falta de uma lei autorizadora torna a coleta massiva irregular e desproporcional (o que invalida a alternativa "C").

O fato de estar em via pública não anula a privacidade A LGPD tem como objetivo principal proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade, além do livre desenvolvimento da personalidade. O simples fato de uma pessoa estar caminhando em uma via pública não autoriza o Estado a captar, armazenar e processar seus dados biométricos de forma indiscriminada e massiva. O tratamento de dados deve ser sempre limitado ao mínimo necessário (princípio da necessidade). Assim, a alternativa "D" também é falsa.

Ou seja,  O monitoramento por reconhecimento facial coleta dados sensíveis. Se o Estado faz essa coleta em massa, seja para políticas públicas ou segurança, ele precisa de uma base legal forte, ou seja, uma lei específica que regule a proporcionalidade da medida e proteja os cidadãos. Fazer isso sem lei viola o núcleo dos direitos de proteção de dados e privacidade.

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