Leia o caso clínico a seguir. Paciente do sexo feminino, de...

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Q4152508 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Paciente do sexo feminino, de 23 anos, procura atendimento endocrinológico com queixa de acne, oleosidade da pele e aumento de pelos na face, confirmados no exame físico. Refere também que os ciclos menstruais geralmente são irregulares, com intervalos de até 90 dias. Nega doenças crônicas, uso de medicamentos e doenças familiares dignas de nota. Não tem vida sexual. Foi solicitada ultrassonografia pélvica que revelou ovário direito com 12 cm³ e ovário esquerdo com 15 cm³, porém, sem presença de micropolicistos, útero normal. Os níveis séricos dos androgênios testosterona, androstenediona, DHEA e SDHEA se encontravam dentro do limite da normalidade. O médico que a atendeu fez diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos (SOP).

De acordo com os critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP, essa paciente 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pelos critérios de Rotterdam, o diagnóstico de SOP exige 2 de 3 critérios, após exclusão de outras causas. Nesta paciente, há disfunção ovulatória/oligomenorreia e hiperandrogenismo clínico, o que já confirma SOP; por isso, androgênios séricos normais e ausência de micropolicistos ao ultrassom não afastam o diagnóstico. A dosagem de 17OH-progesterona é indicada para excluir hiperplasia adrenal congênita não clássica.

Tema central: Diagnóstico de SOP
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque usa dois achados que não excluem SOP pelos critérios de Rotterdam. Androgênios séricos normais não anulam o critério de hiperandrogenismo quando ele está presente clinicamente, e a ausência de micropolicistos ao ultrassom também não afasta SOP se já houver outros 2 critérios. Aqui há oligomenorreia e hiperandrogenismo clínico, o que basta para o diagnóstico.
B
Certa
A alternativa B está correta porque a paciente já preenche os critérios diagnósticos de SOP por apresentar disfunção ovulatória importante e hiperandrogenismo clínico. Nos critérios de Rotterdam, hiperandrogenismo clínico vale como critério mesmo sem hiperandrogenemia laboratorial, e o ultrassom não precisa mostrar morfologia policística se dois outros critérios já estiverem presentes. Além disso, na propedêutica de mulher jovem com hiperandrogenismo e irregularidade menstrual, a dosagem de 17OH-progesterona é apropriada para afastar hiperplasia adrenal congênita não clássica, que é diagnóstico diferencial clássico.
C
Errada
Está errada porque a relação LH/FSH não faz parte dos critérios de Rotterdam e não deve ser usada para confirmar SOP. O ponto decisivo é que a paciente já preenche critérios clínicos de SOP, independentemente dessa relação hormonal.
D
Errada
Está errada porque restringe inadequadamente a necessidade de manejo da SOP ao desejo reprodutivo. Mesmo sem plano gestacional imediato, a síndrome pode exigir tratamento e seguimento por irregularidade menstrual, manifestações de hiperandrogenismo e repercussões metabólicas e endometriais. Portanto, a ausência de desejo de engravidar não justifica concluir que não há necessidade de tratamento.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre critério diagnóstico e achado acessório: muitos candidatos exigem hiperandrogenemia laboratorial ou ovário policístico ao ultrassom, mas em Rotterdam bastam oligomenorreia e hiperandrogenismo clínico; a outra armadilha é esquecer a exclusão de hiperplasia adrenal congênita não clássica com 17OH-progesterona.
Dica para questões semelhantes
  • Em SOP, conte os 3 critérios de Rotterdam e confirme o diagnóstico quando houver 2 deles, após excluir outras causas.
  • Hiperandrogenismo clínico vale como critério mesmo com testosterona, androstenediona, DHEA e SDHEA normais.
  • Ausência de morfologia policística no ultrassom não exclui SOP se oligo/anovulação e hiperandrogenismo já estiverem presentes.
  • Em mulher jovem com hiperandrogenismo e irregularidade menstrual, lembre da 17OH-progesterona para afastar hiperplasia adrenal congênita não clássica.

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