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Q4152502 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Paciente do sexo feminino, de 32 anos, submetida à cirurgia transesfenoidal por macroadenoma hipofisário, evoluiu com hipotireoidismo secundário em uso de levotiroxina 100 mcg por dia. Iniciou uso de anticoncepcional hormonal oral há quatro meses e vem apresentando sintomas como fraqueza, tontura em mudança de decúbito, indisposição extrema. Exames evidenciaram cortisol basal 8,5 mcg/dl (5-25), t4 livre: 1,3 ng/dl (VR 0,8-1,9), prolactina 28 ng/dl ( VR 3- 25), IGF-1 50 ng/ml (VR 60-300), sódio 137 mEq/L (VR 136-145).

Neste caso, a conduta é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em usuária de estrogênio oral, o cortisol total basal pode ficar artificialmente elevado por aumento da CBG, tornando pouco confiável a interpretação de valores intermediários. Como a paciente é hipofisária, sintomática e tem cortisol basal de 8,5 mcg/dL, a confirmação da função corticotrófica deve ser feita com suspensão do ACHO e/ou teste de estímulo com cortrosina.

Tema central: Interferência do estrogênio oral na avaliação do cortisol
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o ajuste da levotiroxina no hipotireoidismo central é guiado pelo T4 livre, não pelo TSH, e o T4 livre está normal em 1,3 ng/dL. Não há dado laboratorial que sustente sub-reposição tireoidiana. Além disso, os sintomas descritos são mais compatíveis com possível insuficiência adrenal central, e aumentar levotiroxina antes de esclarecer esse eixo é tecnicamente inadequado, pois a reposição tireoidiana pode agravar manifestação de insuficiência adrenal não tratada.
B
Errada
Está errada porque prolactina de 28 ng/dL é apenas discretamente elevada e, nesse contexto hipofisário pós-cirúrgico, isso não basta para indicar cabergolina. Elevação discreta pode ocorrer por efeito de haste, contexto da doença hipofisária ou variabilidade laboratorial. O caso não traz elementos que demonstrem prolactinoma ativo nem hiperprolactinemia clinicamente relevante como problema principal; o eixo que precisa ser esclarecido prioritariamente é o adrenal.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque enfrenta o problema diagnóstico real do caso. Em paciente com risco de deficiência de ACTH após cirurgia hipofisária, sintomas sugestivos e cortisol basal em faixa indeterminada, a interpretação isolada do cortisol total já seria insuficiente; com uso de anticoncepcional oral estrogênico, ela fica ainda menos confiável, porque o estrogênio oral aumenta a síntese hepática de CBG e pode elevar o cortisol total sem refletir aumento do cortisol livre biologicamente ativo. Por isso, a conduta adequada é retirar o interferente e reavaliar o cortisol basal e/ou confirmar a função corticotrófica com teste da cortrosina.
D
Errada
Está errada porque IGF-1 baixo isolado não autoriza início imediato de somatropina em adulto. A reposição de GH exige confirmação diagnóstica apropriada e, neste caso, ainda há suspeita de insuficiência adrenal central, que tem prioridade prática na avaliação do hipopituitarismo. Iniciar somatropina sem esclarecer primeiro o eixo adrenal ignora a hierarquia correta de reposições hormonais nesse cenário.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de aceitar o cortisol basal como 'normal' pela faixa do laboratório e perder o detalhe decisivo: o anticoncepcional oral estrogênico aumenta a CBG, podendo mascarar insuficiência adrenal central ao elevar o cortisol total medido.
Dica para questões semelhantes
  • Em paciente hipofisário sintomático, cortisol basal em faixa intermediária não fecha nem exclui insuficiência adrenal central; pense em teste confirmatório.
  • Se houver uso de estrogênio oral, questione a confiabilidade do cortisol total sérico, porque o aumento de CBG pode superestimar a reserva adrenal.
  • No hipotireoidismo central, ajuste levotiroxina pelo T4 livre; T4 livre normal não sustenta aumento empírico da dose por sintomas inespecíficos.
  • No hipopituitarismo, esclareça primeiro a possível insuficiência adrenal antes de intensificar reposição tireoidiana ou considerar GH.

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