O segundo parágrafo do texto é:

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Q515895 Português
                        Mandela e o poder da inspiração (RUTH DE AQUINO)

      "Agradeço a todos os deuses por meu espírito invencível. Sou o dono de meu destino. Sou o capitão de minha alma." Essas palavras poderiam soar recheadas de arrogância. Não na boca de Nelson Mandela, o líder sul­africano que ficou preso 27 anos e dali saiu para reconciliar seu país. Não há ceticismo que resista ao filme Invictus. Se você ainda não viu a atuação impecável de Morgan Freeman como Mandela - e se algum ressentimento perturba seu sono -, entre no cinema hoje.
      Há muitos motivos para ver Invictus. E o maior deles não é ser fã de rúgbi ou entender as regras desse jogo que combina força brutal e agilidade. Tampouco é o fato de a África do Sul sediar a próxima Copa do Mundo em julho. O maior motivo para ver Invictus é entender a nós mesmos, nossa força ou limitação, sós ou em equipe. Perceber com mais clareza o jogo cotidiano da liderança, em casa e no trabalho. Confrontar nossa verdade, sem subterfúgios ou rancores. O filme ajudará você a saber se seu chefe o inspira realmente. Ou se você inspira os que trabalham a seu lado.
      Uma cena tocante é o chá entre Mandela e o capitão da seleção sul­africana de rúgbi, François Pienaar, o louro africâner de temperamento contido representado por Matt Damon. Ao contrário de seus camaradas, Mandela intuía que os Springboks, mesmo com bandeira e hino associados ao apartheid, poderiam ser usados para unir negros e brancos numa imensa torcida arco­íris.
      - François - diz Mandela, sorrindo -, você tem um emprego muito difícil, um enorme desafio.
      - Seu desafio é maior, senhor presidente.
      - Mas não é minha cabeça que eles querem degolar a cada jogo, François. (...)

                              (disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EMI122804­15230,00.html, acesso: 02/03/2010)


O segundo parágrafo do texto é:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: "Há muitos motivos para ver Invictus. E o maior deles não é ser fã de rúgbi ou entender as regras desse jogo que combina força brutal e agilidade. Tampouco é o fato de a África do Sul sediar a próxima Copa do Mundo em julho. O maior motivo para ver Invictus é entender a nós mesmos, nossa força ou limitação, sós ou em equipe. Perceber com mais clareza o jogo cotidiano da liderança, em casa e no trabalho. Confrontar nossa verdade, sem subterfúgios ou rancores. O filme ajudará você a saber se seu chefe o inspira realmente. Ou se você inspira os que trabalham a seu lado." O trecho reúne marcas de subjetividade e de interpelação ao leitor para recomendar o filme; isso confirma o caráter argumentativo e persuasivo do segundo parágrafo e sustenta a alternativa A.

Tema central: argumentação subjetiva e persuasiva
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A acerta porque identifica os dois traços decisivos do segundo parágrafo: ele é construído com argumentos pessoais da autora sobre o filme e tem finalidade de convencimento. Isso aparece na organização argumentativa de "Há muitos motivos para ver Invictus" e "O maior motivo para ver Invictus", somada aos juízos valorativos sobre o que o filme permite compreender e ao apelo direto ao leitor em "O filme ajudará você". Não se trata de descrição neutra, mas de apreciação subjetiva usada para recomendar o filme.
B
Errada
Está errada porque atribui impessoalidade e objetividade ao parágrafo. O texto não observa o filme de modo neutro; ele formula avaliações da autora sobre seus efeitos, como em "O maior motivo para ver Invictus é entender a nós mesmos". A enumeração de motivos existe, mas o conteúdo desses motivos é interpretativo e valorativo, não impessoal.
C
Errada
Está errada porque fala em "dados concretos do filme". O segundo parágrafo não apresenta, como base principal, informações factuais sobre enredo, produção ou cenas; apresenta benefícios e sentidos atribuídos ao filme pela articulista, como autoconhecimento, liderança e confronto com a própria verdade. Isso é argumento valorativo, não dado concreto.
D
Errada
Está errada por dois motivos. Primeiro, os argumentos não são construídos com base na vivência de Ruth de Aquino: o parágrafo não traz relato autobiográfico da autora, mas sua leitura crítica do filme. Segundo, a finalidade principal não é apenas "nos fazer refletir sobre Invictus", porque o texto organiza razões para que o leitor veja o filme, com claro propósito persuasivo de recomendação.
E
Errada
Está errada porque chama de "impessoais" argumentos que, segundo a própria alternativa, decorrem da "impressão do filme" feita por Ruth de Aquino. Pela base do texto, essa impressão é subjetiva, não impessoal. Além disso, o parágrafo não só convida à reflexão: ele também procura convencer o leitor a assistir ao filme, o que a alternativa enfraquece.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre enumerar motivos e ser objetivo. O parágrafo parece organizado de forma lógica, mas o conteúdo desses motivos é subjetivo, avaliativo e dirigido ao leitor para recomendação do filme.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto diz por que algo deve ser visto, lido ou aceito, verifique se há estrutura de defesa de tese, não simples descrição.
  • Se aparecem juízos como valor, utilidade, efeito ou importância, o traço dominante tende a ser subjetivo, mesmo com organização lógica.
  • A presença de interlocução com o leitor, como "você", costuma reforçar finalidade persuasiva.
  • Diferencie impressão crítica do autor sobre a obra de relato de experiência pessoal vivida por ele.

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Comentários

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R= A

A

Constituído de argumentos pessoais de Ruth de Aquino com base em sua impressão do filme, argumentos esses que objetivam nos convencer a assistir Invictus.

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