Leia o caso clínico a seguir. Paciente do sexo masculino, d...

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Q4152497 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Paciente do sexo masculino, de 83 anos, com diagnóstico de arritmia por doença de Chagas, em uso de amiodarona 200 mg/dia, apresentou descompensação cardíaca. Durante investigação observou-se: TSH: 0,01 mUI/L (VR 0,4 a 4,0) e T4 livre: 2,5 ng/dl (VR 0,8-1,9), US de tireoide com doppler mostrou ausência de vascularização e cintilografia de tireoide mostrou-se hipocaptante.

Nesse caso, o diagnóstico e a conduta adequada são, respectivamente:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Doppler sem vascularização e cintilografia hipocaptante caracterizam tireoidite destrutiva induzida por amiodarona, isto é, TIA 2; nesse mecanismo, e não em hiperprodução hormonal, a conduta inicial adequada é corticoterapia.

Tema central: TIA 1 versus TIA 2
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque doença de Graves é incompatível com o padrão de imagem descrito: ausência de vascularização ao Doppler e cintilografia hipocaptante favorecem processo destrutivo, não hiperfunção autoimune. Além disso, radioiodoterapia depende de captação adequada, o que não existe em uma tireoide hipocaptante.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o enunciado documenta tireotoxicose manifesta por TSH suprimido e T4 livre elevado, e os exames funcionais da tireoide mostram padrão destrutivo: ausência de vascularização ao Doppler e hipocaptação na cintilografia. Esse conjunto afasta quadro de hiperfunção e sustenta tireotoxicose por amiodarona tipo 2. Como na TIA 2 há liberação de hormônio pré-formado por tireoidite destrutiva, o tratamento de escolha é glicocorticoide, e a presença de descompensação cardíaca reforça a necessidade de tratamento específico imediato.
C
Errada
Está errada porque, embora o diagnóstico de TIA 2 esteja correto, a conduta é inadequada. Tireotoxicose manifesta em idoso com descompensação cardíaca não comporta conduta expectante sem tratamento específico. A suspensão isolada da amiodarona não resolve de imediato esse quadro, e a base destaca que TIA 2 requer, em geral, glicocorticoide.
D
Errada
Está errada porque TIA 1 é um quadro de aumento de síntese hormonal, geralmente associado a vascularização aumentada ou normal e sem esse padrão de hipocaptação destrutiva. Aqui, a ausência de vascularização e a cintilografia hipocaptante apontam contra TIA 1. Por isso, iniciar droga antitireoidiana como estratégia principal está em desacordo com o mecanismo do caso.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre qualquer tireotoxicose em uso de amiodarona e hipertireoidismo por hiperprodução. O subtipo não é definido pelos hormônios, mas pelo padrão funcional: Doppler sem vascularização e cintilografia hipocapante fecham TIA 2 e mudam a terapêutica.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro confirme tireotoxicose bioquímica; depois use Doppler e cintilografia para definir se o mecanismo é hiperprodução ou destruição.
  • Baixa vascularização ao Doppler junto com hipocaptação na cintilografia favorece TIA 2 e direciona para glicocorticoide.
  • Se a glândula é hipocaptante, radioiodo não é resposta lógica.
  • Em tireotoxicose com repercussão cardiovascular, omitir tratamento específico é tecnicamente inadequado.

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