Leia o caso clínico a seguir. Paciente do sexo masculino, d...

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Q4152492 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Paciente do sexo masculino, de 62 anos, diagnosticado com hiperparatiroidismo primário com fraturas por fragilidade e tumor marrom, foi submetida a paratiroidectomia. No segundo dia de pós-operatório apresentou câimbras, parestesia perioral e fraqueza muscular. Exames: cálcio 6,8 mg/dl (VR 8,8 – 10,6), magnésio 1,6 mg/dl (VR 1,5-2,5), fósforo 1,9 mg/dl ( VR 2,5-4,5) e 25OH vitamina D: 28 ng/dl (VR>30).

Nesse caso, o diagnóstico é:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que define o caso é a síndrome da fome óssea após paratiroidectomia em hiperparatireoidismo primário grave com doença óssea de alta remodelação. As fraturas por fragilidade e o tumor marrom indicam acometimento ósseo importante; após a retirada do excesso de PTH, o osso passa a captar intensamente cálcio e fósforo, causando hipocalcemia sintomática precoce com hipofosfatemia. Esse padrão afasta hipoparatireoidismo pós-cirúrgico, no qual o fósforo tenderia a ficar elevado ou inadequadamente normal-alto.

Tema central: Fome óssea pós-paratiroidectomia
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. O magnésio de 1,6 mg/dl está dentro do intervalo de referência informado, embora em faixa baixa-normal. Isso não sustenta deficiência de magnésio como causa principal da hipocalcemia. Além disso, esse achado não explica de forma mais específica o conjunto de hiperparatireoidismo primário grave, tumor marrom, fraturas por fragilidade, pós-operatório de paratiroidectomia e fósforo baixo.
B
Errada
Incorreta. Hipoparatireoidismo pós-cirúrgico cursa com perda do efeito fosfatúrico do PTH, o que favorece fósforo elevado ou inadequadamente normal-alto. Aqui o fósforo está baixo, achado que favorece fome óssea. A simples presença de hipocalcemia após cirurgia não basta para diagnosticar hipoparatireoidismo quando o padrão bioquímico e o antecedente de doença óssea grave apontam outro mecanismo.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o caso é típico de síndrome da fome óssea: hiperparatireoidismo primário grave, com fraturas por fragilidade e tumor marrom, seguido de hipocalcemia sintomática no segundo dia pós-operatório e fósforo baixo. Esse conjunto aponta para captação mineral acelerada pelo osso após a paratiroidectomia.
D
Errada
Incorreta. A 25OH vitamina D de 28 ng/dl indica insuficiência leve/limítrofe, que pode contribuir para risco ou intensidade da hipocalcemia, mas não é a explicação diagnóstica principal para hipocalcemia sintomática abrupta no segundo dia de pós-operatório nesse contexto. O quadro específico é de captação óssea intensa de minerais após a paratiroidectomia, reforçado pelo fósforo baixo e pela doença óssea severa prévia.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de rotular toda hipocalcemia após paratiroidectomia como hipoparatireoidismo pós-cirúrgico. O dado que desmonta essa conclusão automática é o fósforo baixo, somado aos marcadores prévios de alta remodelação óssea.
Dica para questões semelhantes
  • Após paratiroidectomia, use o fósforo para diferenciar mecanismos de hipocalcemia: fósforo baixo favorece fome óssea; fósforo alto ou normal-alto favorece hipoparatireoidismo.
  • Valorize sinais prévios de doença óssea de alto turnover, como fraturas por fragilidade e tumor marrom, porque eles aumentam muito a probabilidade de fome óssea.
  • Não atribua a causa principal a magnésio limítrofe ou vitamina D discretamente baixa quando o contexto clínico-laboratorial é típico de fome óssea.

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