Sobre a hidropisia fetal não-imune, considere as afirmativas...
Sobre a hidropisia fetal não-imune, considere as afirmativas a seguir:
I – É idiopática em mais de metade dos casos e, nos demais, está associada à incompatibilidade do sistema ABO;
II – Apesar do mau prognóstico para o feto, é ele o único comprometido, não havendo risco materno;
III – A biopsia de vilo corial deve ser realizada, pois permite a investigação do cariótipo fetal, cuja alteração é uma das principais causas da hidropisia;
IV – A necropsia fetal e o exame da placenta constituem o padrão-ouro para o diagnóstico e para o aconselhamento futuro.
Assinale a alternativa que contém somente a(s) afirmativa(s) correta(s).
Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda a hidropisia fetal não-imune, condição caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido em pelo menos dois compartimentos fetais, não relacionada à aloimunização materno-fetal. Entender suas causas, consequências clínicas e métodos diagnósticos é fundamental para atuação médica e consultoria adequada aos pais.
Justificativa da alternativa correta (E): A necropsia fetal associada ao estudo detalhado da placenta constitui o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo da hidropisia fetal não-imune, permitindo identificar as variadas etiologias (genéticas, infecciosas, malformações e idiopáticas) e fornecer subsídios para aconselhamento reprodutivo nas futuras gestações. Segundo o Manual Técnico – Gestação de Alto Risco, Ministério da Saúde, a participação do patologista no esclarecimento dos casos de hidropisia é imprescindível para a conduta adequada e esclarecimento diagnóstico.
Análise das alternativas incorretas:
I – Incorreta. Embora parte dos casos seja idiopática, não há associação com incompatibilidade ABO na forma não-imune. A incompatibilidade ABO relaciona-se à hidropisia imune (via aloimunização).
II – Incorreta. Não é correto afirmar que o risco materno está ausente. A hidropisia pode exigir intervenções obstétricas de emergência, aumentando o risco para a mãe com complicações como hemorragia, infecção e distocia dos ombros, principalmente em gestações avançadas.
III – Incorreta. Apesar de a biópsia de vilo corial ser um recurso para investigação genética, não é obrigatória ou padrão; outros métodos (como a amniocentese) são amplamente utilizados, variando conforme a indicação clínica, idade gestacional e recursos disponíveis.
IV – Correta. A necropsia associada à análise placentária possibilita esclarecer a etiologia e orientar condutas futuras, sendo consenso em diretrizes e literatura (referenciado por obras como Williams Obstetrícia e no Manual de Gestação de Alto Risco do MS).
Estratégia para provas: Atenção a detalhes conceituais, especialmente entre formas imune e não-imune de hidropisia. Desconfie de afirmações categóricas como “único comprometido” ou associações etiológicas sem base nas diretrizes atuais. Palavras como “padrão-ouro” geralmente estão associadas a exames pós-morte e investigações anatomopatológicas detalhadas.
Resumo: Gabarito correto: E (IV). A necropsia fetal e a avaliação da placenta são essenciais para diagnóstico preciso e aconselhamento de futuros riscos gestacionais.
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