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Q3949387 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Não sou igual a você


Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.


Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.


O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.


Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?



CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026.


Com base no funcionamento sintático e semântico do período "Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa", analise a estrutura da oração, a relação entre seus termos e o valor atribuído ao predicado em torno da expressão "é algo estranho", considerando o comportamento verbal e nominal do enunciado, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: "Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa." Nesse período, o verbo finito "é" funciona como verbo de ligação; o segmento "Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua" é sujeito oracional reduzido de infinitivo, e "algo estranho" é o predicativo do sujeito. Essa organização configura predicação nominal e sustenta a alternativa D.

Tema central: Predicação nominal com sujeito oracional
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao classificar o segmento como impessoal. A oração tem sujeito expresso: "Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua". O fato de esse sujeito estar em forma reduzida de infinitivo não elimina sua função sintática. Além disso, "é" não tem sentido autônomo nesse contexto; ele apenas liga o sujeito a uma qualificação.
B
Errada
A alternativa descreve predicação verbal centrada em ação, mas isso não corresponde à estrutura do período. O verbo central da oração é "é", e ele não expressa movimento concreto nem ação plenamente definida. A noção de ação aparece em "Topar", porém esse infinitivo integra o sujeito oracional. O predicado do período é nominal e tem valor avaliativo.
C
Errada
A alternativa erra ao afirmar transitividade direta. Nesse período, "ser" não está empregado como verbo pleno e não seleciona objeto direto. O segmento "algo estranho" não complementa verbalmente "é"; ele funciona como predicativo do sujeito, atribuindo uma qualidade à experiência expressa no sujeito oracional.
D
Certa
A alternativa D acerta a organização sintática do período. O segmento inicial em infinitivo, "Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua", não é verbo principal da oração: ele exerce a função de sujeito oracional. O verbo finito do período é "é", empregado sem sentido de ação e sem selecionar objeto, portanto como verbo de ligação. Já "algo estranho" qualifica a experiência expressa pelo sujeito, exercendo a função de predicativo do sujeito. O enunciado, assim, não narra uma ação do verbo "ser", mas atribui um juízo avaliativo à experiência descrita.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o infinitivo inicial e o verbo principal da oração: muitos tomam "Topar" como núcleo verbal do período e, com isso, deixam de perceber que ele compõe o sujeito oracional e que a estrutura real é de predicação nominal.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a oração começa por infinitivo, verifique se esse segmento inteiro funciona como sujeito antes de classificar a predicação.
  • Se "ser" não indica ação nem pede objeto, mas liga o sujeito a uma característica ou avaliação, ele funciona como verbo de ligação.
  • Um termo após verbo de ligação não deve ser tratado como objeto sem teste sintático: pode ser predicativo do sujeito.
  • Distingua a ideia semântica de ação presente no infinitivo da função sintática global que esse infinitivo exerce no período.

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