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Q3947207 Direito Civil
A empresa "A" celebrou contrato de venda de maquinário com a empresa "B" por preço muito abaixo do mercado. Os bens nunca foram retirados do estabelecimento e a compradora não possui capacidade financeira ou estrutura operacional. A operação ocorreu quando a empresa "A" já respondia por débitos de ICMS e o negócio buscava impedir futura constrição fiscal. De acordo com o Código Civil, esse negócio jurídico é
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Código Civil, art. 167, caput: "É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma." Como os fatos indicam negócio aparente, aplica-se a nulidade, ressalvada apenas a subsistência condicional do negócio dissimulado, conforme a alternativa D.

Tema central: Nulidade por simulação
Análise das alternativas
A
Errada
A simulação gera nulidade, não anulabilidade, conforme o art. 167 do Código Civil. Além disso, o art. 169 impede a confirmação do negócio nulo; a ausência de prejuízo ao Fisco não sana esse vício.
B
Errada
O preço inferior ao de mercado não torna o negócio automaticamente inexistente. A nulidade, neste caso, decorre da simulação inferida do conjunto das circunstâncias, nos termos do art. 167 do Código Civil, e não da desproporção do preço isoladamente.
C
Errada
A alternativa confunde lesão com simulação. Pelo art. 157 do Código Civil, a lesão exige prestação manifestamente desproporcional associada à premente necessidade ou à inexperiência, circunstâncias não demonstradas. O vício identificado é a simulação, que produz nulidade e não pode ser sanado pela prova de ausência de lesão à compradora, conforme os arts. 167 e 169.
D
Certa
A alternativa D aplica as duas consequências previstas no art. 167, caput, do Código Civil: nulidade do negócio aparente e possível subsistência do negócio oculto, condicionada à validade substancial e formal. O enquadramento como simulação decorre do conjunto de indícios de que a venda não corresponde à realidade pretendida pelas partes, e não apenas da intenção de frustrar o Fisco. A ressalva não significa que esteja comprovada a existência de negócio oculto válido.
E
Errada
A falta de capacidade econômica da compradora não é tratada como incapacidade civil, mas como indício de que a venda é aparente. Em conjunto com as demais circunstâncias, ela sustenta o reconhecimento de declaração negocial não verdadeira, hipótese de simulação prevista no art. 167, § 1º, II, do Código Civil. Por isso, não se pode concluir pela validade do negócio.
Pegadinha da questão
Confundir nulidade por simulação com anulabilidade e considerar automática a subsistência do negócio dissimulado, que depende de validade na substância e na forma.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o conjunto dos fatos indica negócio apenas aparente: preço baixo ou intenção de frustrar credores, isoladamente, não demonstram simulação.
  • Identificada a simulação, aplique a nulidade do art. 167 e a vedação de confirmação do art. 169 do Código Civil.
  • Separe o negócio simulado do eventual negócio dissimulado: somente este último pode subsistir, se válido na substância e na forma.

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LETRA D. Como o negócio buscava impedir futura constrição fiscal, esse negocio juridico torna-se nulo, conforme o Código Civil no art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.

O ponto-chave da questão é: "o negócio buscava impedir futura constrição fiscal". O que isso quer dizer? Que a 'empresa A' realizou o negócio jurídico com a intenção (má-fé) de impedir que o credor penhorasse os bens em uma execução fiscal. Chamamos esse negócio de 'negócio jurídico simulado" e a consequência é ele ser NULO (Código Civil no art. 167).

O que significa ele ser nulo? Que o credor poderá ingressar com uma ação pauliana (ou alegar fraude à execução) a fim de tornar nulo o negócio e os bens retornarem ao devedor primitivo e, assim, serem penhorados.

Resumo sobre negócio jurídico nulo e anulável

Negócio jurídico será nulo se:

. celebrado por absolutamente incapaz;

. for ilícito, impossível ou indeterminável o objeto;

. o motivo de ambos for ilícito;

. não revestir a forma prescrita em lei;

. for preterida alguma solenidade que a lei considera essencial;

. objetivo for fraudar lei;

. lei taxativamente declarar nulo

. negócio jurídico simulado.

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Negócio jurídico será anulável:

. celebrado por relativamente incapaz;

. erro;

. dolo;

. coação moral;

. estado de perigo;

. lesão;

. fraude contra credores (vício social);

. lei prevê a anulabilidade.

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Anulabilidade:

. efeitos somente aos interessados/entre as partes

. não é reconhecida de ofício

. sujeita-se ao prazo decadencial (4 anos)

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Lesão: pessoa, em premente necessidade ou inexperiência, se obriga a manifestação desproporcional.

Estado de perigo: necessidade de salvar-se ou salvar pessoa da família de grave dano assume obrigação excessiva.

Erro: falta de percepção da realidade.

Dolo: uma das partes induz dolosamente/maliciosamente a outra parte. O dolo deve ser a causa do negócio jurídico para ser anulável.

Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.

§ 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:

I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem;

II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;

III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.

§ 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado.

Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir.

Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas,

Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo.

Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade.

Trata-se de medida conservatória que a doutrina denomina conversão do negócio jurídico.

Conforme Flávio Tartuce: "a conversão do negócio jurídico constitui o meio jurídico pelo qual o negócio nulo, respeitados certos requisitos, transforma-se em outro negócio, totalmente válido, visando à conservação contratual e à manutenção da vontade, da autonomia privada.

Constata-se que o art. 170 do CC/2002 consagra uma conversão subjetiva e indireta. Subjetiva porque exige a vontade das partes; indireta porque o negócio nulo é convertido em outro".

Lembrar da premissa que o negócio jurídico NULO não pode ser CONVALIDADO, mas pode ser CONVERTIDO. As bancas adoram trocar as palavras.

Fraude e simulação são institutos diferenciados:

A fraude à lei - tem como finalidade atingir finalidade daquela diversa que a lei prevê, sendo que ele aparentemente obedece a lei. A fraude gera NULIDADE/NULO.

Simulação - é a utilização do negócio aparente, para enganar a coletividade, ou esconder algum propósito. A simulação gera NULIDADE/NULO.

O contrato aparenta existir, mas a intenção real era ocultar patrimônio do Fisco. Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.

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