A função que predomina no texto é a referencial, uma vez que
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Ano: 2026
Banca:
UFRRJ
Órgão:
UFRRJ
Provas:
UFRRJ - 2026 - UFRRJ - Engenheiro de Segurança do Trabalho
|
UFRRJ - 2026 - UFRRJ - Fonoaudiólogo |
UFRRJ - 2026 - UFRRJ - Médico — Clínico Geral |
UFRRJ - 2026 - UFRRJ - Médico — Psiquiatra |
UFRRJ - 2026 - UFRRJ - Médico Veterinário |
UFRRJ - 2026 - UFRRJ - Zootecnista |
Q4394795
Português
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Leia o texto I e responda à questão.
TEXTO I
Arte prescrita: médicos passam a recomendar atividades culturais para lidar com
depressão e solidão
Imagine sair de uma consulta médica com a prescrição de, assim que possível, visitar um
museu, ir ao teatro, ao cinema ou a um show — tudo isso sendo seriamente considerado
como uma ferramenta de tratamento. Parece insólito, é verdade, mas a prática começa a
ganhar força no Brasil e no mundo e tem até nome. São as “prescrições sociais” que
miram na necessidade de conexão com o outro e, portanto, na capacidade da arte (e outras
atividades coletivas) de aproximar pessoas, contar histórias, partilhar contextos, entre
outros aspectos.
Projetos realizados na Bélgica e na Suíça, por exemplo, permitiam que médicos dessem
indicações de visitas a museus para quem passa por desafios de ordem psicológica, da
depressão ao burnout, como uma forma de promover o bem-estar.
No Brasil, a conversa sobre atividades artísticas também ocupa as consultas e fazem parte
da anamnese (a conversa entre médico e paciente que coleta informações para diagnóstico
e tratamento) de diversos psiquiatras.
— A prescrição de atividades culturais entra como uma ferramenta terapêutica adjuvante,
ela não substitui medicação — explica Priscila Rocco, psiquiatra e psicoterapeuta do
Hospital Sírio-Libanês. — Ela pode colaborar com o alívio do sofrimento psíquico. E,
nesse caso, a gente não precisa de um diagnóstico psiquiátrico para oferecer. O nosso
foco pode ser aliviar o estresse, por exemplo.
Priscilla explica que um dos ganhos desse tipo de atividade é, basicamente, a
manifestação “não verbal” de alguns dos sentimentos. Ou seja, vai além de só incentivar
o paciente a sair de casa e dar uma volta, tem a ver com o contato com novas narrativas e
interpretações do mundo, da sociedade.
ALIADA NA PREVENÇÃO
Luiz Gustavo Zoldan, psiquiatra e gerente médico da unidade de saúde mental do
Einstein, diz ainda que esse tipo de prescrição pode ir além e não só “remediar”
diagnósticos de saúde já conhecidos, mas trabalhar na promoção da boa saúde, ou seja,
na área da prevenção de problemas psíquicos.
— São atividades que ajudam a reduzir estresse, desacelerar o ritmo mental, ampliar a
percepção de si, do mundo, gerar emoções positivas, que ajudam a contrabalancear
emoções negativas — diz. — Isso contribui para o bem-estar emocional de forma
concreta, e tem impacto na promoção de saúde e no cuidado de transtornos como
depressão e ansiedade.
A prescrição, dizem os especialistas, não pode ser feita de maneira generalista, mas deve
levar em consideração experiências anteriores e os gostos do paciente. Ou seja, se a
pessoa costumava ir a exposições e em algum momento deixou de ir, é uma ótima ideia
voltar ao hábito de visitar museus. Mostras temáticas sobre assuntos como futebol, música
e história — quando se conectam com algo que já despertava uma vontade anterior —
também são mais do que válidas. Além disso, o vínculo entre médico e paciente também
pesa na hora de aderir, ou não, à indicação.
No Reino Unido as chamadas “prescrições sociais” miram ainda em pessoas que estão
sozinhas ou se sentem isoladas, além de questões mentais diversas. O serviço abrange
atividades culturais como grupos de coral, aulas de dança, visitas a galerias, sessões
musicais e ainda abre espaço para atividades como grupos esportivos e práticas onde há
contato com a natureza.
Uma das maiores especialistas no tema em todo o mundo, a pesquisadora e professora Jill
Sonke, ligada à Universidade da Flórida, conta que ao menos 40 países adotam algum
tipo de prescrição social, e a maior parte dessas localidades conta com prescrições de
atividades artísticas. O Canadá e o Reino Unido, ela explica, têm avançado rapidamente
nesse tipo de prática.
Uma publicação recente da professora Sonke junto a outros pesquisadores, porém, chama
atenção ao demonstrar que as atividades culturais têm impactos positivos que vão além
dos desafios de ordem mental. Eles podem ser benéficos também para reduzir doenças
não transmissíveis, como diabetes e obesidade, que figuram como grandes desafios em
termos de saúde global. O estudo — que fez uma revisão de 95 artigos com análises de
programas artísticos em 27 países — foi publicado em outubro de 2025 na revista Nature.
REVOLUÇÃO A CAMINHO
Embora ainda exista uma resistência em incluir atividades artísticas como verdadeiras
promotoras de saúde, a professora acredita que viveremos uma verdadeira “revolução”,
na qual esse tipo de participação se tornará cada vez mais relevante para a saúde
individual e coletiva.
ROSÁRIO, Mariana. Arte prescrita: médicos passam a recomendar atividades culturais para lidar com depressão e solidão. O
Globo, São Paulo,4 jan.2026. Caderno Saúde.
A função que predomina no texto é a referencial, uma vez que