Uma paciente de 60 anos, portadora de cirrose por hepatite ...

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Q3293383 Medicina
Uma paciente de 60 anos, portadora de cirrose por hepatite crônica, chega ao plantão com confusão mental, sonolência e flapping. A gasometria indica distúrbio metabólico sem acidose láctica evidente. O quadro sugere encefalopatia hepática descompensada. Como conduzir esse caso de forma inicial? 
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O tema central desta questão é a encefalopatia hepática, uma complicação neurológica comum em pacientes com cirrose hepática. Este quadro ocorre devido à incapacidade do fígado danificado de metabolizar toxinas, como a amônia, que se acumulam no sangue e afetam o cérebro. A paciente apresentada tem sinais clássicos da condição, como confusão mental, sonolência e flapping (ou asterixe), que é um tremor involuntário característico.

A alternativa correta é a C:

Iniciar lactulose, avaliar infecções e outros precipitantes, além de rifaximina e apoio nutricional adequado, evitando restrição proteica severa.

Justificativa: A lactulose é um dissacarídeo não absorvível que atua no cólon, reduzindo a absorção de amônia ao converter o NH3 em NH4+, que é menos absorvível. Além disso, a rifaximina, um antibiótico não absorvível, reduz a produção de amônia pelas bactérias intestinais. A avaliação de infecções e outros fatores precipitantes é crucial, pois infecções são causas comuns de descompensação na encefalopatia hepática. O apoio nutricional é importante, mas a restrição proteica severa não é mais recomendada, pois pode piorar o estado nutricional do paciente.

Análise das alternativas incorretas:

A - Focar em diuréticos de alta potência para induzir catabolismo e reduzir amônia: Esta abordagem está incorreta. Diuréticos não têm papel na redução de amônia e, ao contrário, podem induzir desidratação e distúrbios eletrolíticos, piorando a encefalopatia.

B - Introduzir sedação profunda para amenizar movimentos involuntários: A sedação profunda é contraindicada, pois pode mascarar a avaliação neurológica e piorar a confusão mental. O manejo deve focar na redução da amônia e não na sedação dos sintomas.

D - Adotar transfusão sanguínea rotineira, pois encefalopatia relaciona-se a coagulopatia: Esta opção é equivocada. A encefalopatia hepática não é tratada por transfusões sanguíneas e a coagulopatia não está diretamente relacionada ao manejo da encefalopatia. Transfusões são indicadas apenas se houver sangramento significativo ou anemia severa.

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