Um homem de 58 anos de idade foi admitido em um hospital apó...

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Ano: 2008 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: SEMAD-SÃO LUIS
Q1210645 Medicina
Um homem de 58 anos de idade foi admitido em um hospital após apresentar um episódio de síncope. Relatou ter desmaiado em um supermercado e não saber por quanto tempo ficou inconsciente. É portador de hanseníase há um ano, com baciloscopia positiva e tratamento irregular. Já apresentou vários quadros de neurite hansênica, com seqüelas motora e sensitiva importantes, bem como quadros reacionais recorrentes de difícil controle. Apresentava quadro de astenia, dificuldades na ambulação e dor em membros inferiores. O exame físico revelou que o paciente se encontrava em estado geral regular, temperatura axilar de 38 ºC, freqüência cardíaca de 108 batimentos por minuto, freqüência respiratória de 32 movimentos respiratórios por minuto e pressão arterial de 128 mmHg × 85 mmHg. No aparelho respiratório, observou-se diminuição da expansibilidade torácica, sons creptantes e macicez no pulmão esquerdo. A envergadura da macicez hepática foi de 18 cm. Observou-se presença de nódulos e placas eritematosas infiltradas de sensibilidade diminuída, difusas, com bordas não definidas, espalhadas por todo corpo, madarose, alopecia e comprometimento da mucosa do nariz com lesões no septo nasal. O referido paciente apresentava, ainda, marcha instável e com dificuldades e pé caído — incapacidade de realizar a dorsiflexão do pé direito. Evoluiu apresentando vômitos, perda de peso, neuropatia periférica e anemia.
Diante da situação hipotética apresentada, julgue o item a seguir.
A forma clínica mais provável é a indeterminada. 
Alternativas

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Para analisar a questão apresentada, é importante entender o contexto clínico do paciente descrito. O homem de 58 anos tem hanseníase com baciloscopia positiva e apresenta sintomas graves e disseminados da doença, inclusive complicações como neurite hansênica, que resultaram em sequelas neurológicas.

A questão central é identificar a forma clínica mais provável de hanseníase neste paciente. A hanseníase é classificada em diferentes formas clínicas, baseadas na resposta imunológica do paciente e na apresentação clínica, conforme o espectro de Ridley-Jopling. As formas principais são:

  • Indeterminada: Caracterizada por lesões hipopigmentadas, com pouca ou nenhuma alteração sensitiva e sem bacilos na baciloscopia.
  • Tuberculoide: Lesões bem delimitadas, com anestesia, e baciloscopia negativa.
  • Dimorfa ou Borderline: Caracteriza-se por lesões mais variadas, geralmente com baciloscopia positiva.
  • Lepromatosa: Muitas lesões, difusas, com baciloscopia fortemente positiva, comprometimento sistêmico e imunidade celular baixa.

Visto isso, vamos analisar o raciocínio clínico:

A forma clínica mais provável é a indeterminada.

Alternativa: Errado. A hanseníase indeterminada é uma forma inicial e mais leve da doença, caracterizada por lesões hipocrômicas e baciloscopia geralmente negativa. Este paciente apresenta sintomas sistêmicos graves, como lesões infiltradas, baciloscopia positiva, madarose (perda dos cílios), alopecia e comprometimento da mucosa nasal, que são características clássicas da forma lepromatosa da hanseníase.

Portanto, a alternativa está incorreta. O paciente não apresenta características da hanseníase indeterminada, mas sim da forma lepromatosa, que é indicada por:

  • Lesões cutâneas difusas e infiltradas.
  • Baciloscopia positiva.
  • Comprometimento sistêmico e neurológico.

A compreensão detalhada do espectro clínico da hanseníase e a correlação com os achados clínicos são fundamentais para diagnosticar corretamente a forma da doença, conforme descrito em diretrizes como as do Ministério da Saúde e referências como o Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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Hanseníase Indeterminada: forma inicial, evolui espontaneamente para a cura na maioria dos casos ou evolui para as chamadas formas polarizadas em cerca de 25% dos casos, o que pode ocorrem em 3 a 5 anos. Geralmente, encontra-se apenas uma lesão, de cor mais clara que a pele normal, com distúrbio da sensibilidade, ou áreas circunscritas de pele com aspecto normal e com distúrbio de sensibilidade, podendo ser acompanhadas de alopécia e/ou anidrose. Mais comum em crianças.

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