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Q2797800 Português

A CIÊNCIA-PROBLEMA


Há três séculos, o conhecimento científico não

faz mais do que provar suas virtudes de verificação e

de descoberta em relação a todos os outros modos

de conhecimento. É o conhecimento vivo que conduz

05 a grande aventura da descoberta do universo, da vida,

do homem. Ele trouxe, e de forma singular neste

século, fabuloso progresso ao nosso saber. Hoje,

podemos medir, pesar, analisar o Sol, avaliar o

número de partículas que constituem nosso universo,

10 decifrar a linguagem genética que informa e programa

toda organização viva. Esse conhecimento permite

extrema precisão em todos os domínios da ação,

até na condução de naves espaciais fora da órbita

terrestre.

15 Correlativamente, é evidente que o conhecimento

científico determinou progressos técnicos inéditos

como a domesticação da energia nuclear e os

princípios da engenharia genética. A ciência é,

portanto, elucidativa (resolve enigmas, dissipa

20 mistérios), enriquecedora (permite satisfazer

necessidades sociais e, assim, desabrochar

a civilização); é, de fato, e justamente, conquistadora,

triunfante.

E, no entanto, essa ciência elucidativa, enrique-

25 cedora, conquistadora e triunfante, apresenta- nos,

cada vez mais, problemas graves que se referem ao

conhecimento que produz, à ação que determina, à

sociedade que transforma. Essa ciência libertadora

traz, ao mesmo tempo, possibilidades terríveis de

30 subjugação. Esse conhecimento vivo é o mesmo que

produziu a ameaça do aniquilamento da humanida-

de. Para conceber e compreender esse problema,

há que acabar com a tola alternativa da ciência “boa”,

que só traz benefícios, ou da ciência “má”, que só

35 traz prejuízos. Pelo contrário, há que, desde a parti-

da, dispor de pensamento capaz de conceber e de

compreender a ambivalência, isto é, a complexida-

de da ciência.


MORIN, Edgard. Ciência com consciência. 3.ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999 (adaptado).

Dentre as palavras negritadas nos fragmentos a seguir, a única que pertence a uma classe gramatical distinta das demais é:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a classificação morfológica no contexto do enunciado: em “e, assim, desabrochar a civilização”, 'assim' é advérbio; já 'com', 'para' e 'desde' são preposições. Por isso, a única palavra destacada de classe distinta é a da alternativa A.

Tema central: classes de palavras
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a palavra destacada, 'assim', no trecho citado, equivale a 'desse modo' e modifica o processo verbal, com valor de modo/consequência. Ela não estabelece ligação entre dois termos, portanto não exerce função prepositiva. Isso a distingue das demais palavras destacadas, que são preposições.
B
Errada
Em “acabar com a tola alternativa”, 'com' liga o verbo 'acabar' ao termo seguinte, introduzindo complemento na construção preposicionada do trecho. Logo, sua classe morfológica é preposição, não sendo a distinta pedida pela questão.
C
Errada
Em “Para conceber e compreender esse problema”, 'para' introduz infinitivo com valor de finalidade, mas permanece morfologicamente preposição. O valor final da expressão não muda sua classe gramatical.
D
Errada
Em “há que, desde a partida, dispor de pensamento capaz”, 'desde' introduz a expressão 'a partida' e marca ponto inicial temporal ou lógico. Essa função é típica de preposição; o sentido temporal da expressão não transforma 'desde' em advérbio.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre palavras invariáveis de classes diferentes: 'assim' pode parecer apenas um conectivo do discurso, mas no trecho é advérbio; já 'com', 'para' e 'desde', embora também invariáveis, são preposições.
Dica para questões semelhantes
  • Não agrupe palavras só porque são invariáveis; verifique a classe morfológica que exercem no trecho.
  • Se a palavra liga um termo a outro, tende a ser preposição; se modifica verbo ou retoma a ideia anterior com valor circunstancial, pode ser advérbio.
  • Quando 'para' vier antes de infinitivo, isso não a torna conjunção automaticamente; no contexto citado, ela permanece preposição.

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