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Q1102561 Português

Texto I

Conceitos da vida cotidiana

      A metáfora é, para a maioria das pessoas, um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico – é mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária. Mais do que isso, a metáfora é usualmente vista como uma característica restrita à linguagem, uma questão mais de palavras do que de pensamento ou ação. Por essa razão, a maioria das pessoas acha que pode viver perfeitamente bem sem a metáfora. Nós descobrimos, ao contrário, que a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, não somente na linguagem, mas também no pensamento e na ação. Nosso sistema conceptual ordinário, em termos do qual não só pensamos, mas também agimos, é fundamentalmente metafórico por natureza.         Os conceitos que governam nosso pensamento não são meras questões do intelecto. Eles governam também a nossa atividade cotidiana até nos detalhes mais triviais. Eles estruturam o que percebemos, a maneira como nos comportamos no mundo e o modo como nos relacionamos com outras pessoas. Tal sistema conceptual desempenha, portanto, um papel central na definição de nossa realidade cotidiana. 

     Para dar uma ideia de como um conceito pode ser metafórico e estruturar uma atividade cotidiana, comecemos pelo conceito de DISCUSSÃO e pela metáfora conceitual DISCUSSÃO É GUERRA. Essa metáfora está presente em nossa linguagem cotidiana numa grande variedade de expressões:

      Seus argumentos são indefensáveis.

      Ele atacou todos os pontos da minha argumentação.

     É importante perceber que não somente falamos sobre discussão em termos de guerra. Podemos realmente ganhar ou perder uma discussão. Vemos as pessoas com quem discutimos como um adversário. Atacamos suas posições e defendemos as nossas. Planejamos e usamos estratégias. Se achamos uma posição indefensável, podemos abandoná-la e colocar-nos numa linha de ataque. Muitas das coisas que fazemos numa discussão são parcialmente estruturadas pelo conceito de guerra. 

     Esse é um exemplo do que queremos dizer quando afirmamos que um conceito metafórico estrutura (pelo menos parcialmente) o que fazemos quando discutimos, assim como a maneira pela qual compreendemos o que fazemos. 

(LAKOFF, G. & JOHNSON, M. Texto adaptado de Metáforas da vida

cotidiana. Campinas: Mercado de Letras; São Paulo: Educ, 2002, p. 45-47.)

O período “Se achamos uma posição indefensável, podemos abandoná-la e colocar-nos numa linha de ataque.” (6º§) poderia ser reescrito sendo iniciado por “Se achássemos uma posição indefensável”. Todavia, essa nova construção exigiria que o verbo “poder” estivesse fexionado da seguinte forma:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No trecho "Se achamos uma posição indefensável, podemos abandoná-la e colocar-nos numa linha de ataque.", a reescrita com "Se achássemos uma posição indefensável" desloca a oração condicional para o pretérito imperfeito do subjuntivo; por correlação verbal normativa, a oração principal deve ir para o futuro do pretérito do indicativo, isto é, "poderíamos".

Tema central: correlação verbal condicional
Análise das alternativas
A
Errada
"Pudéssemos" está no pretérito imperfeito do subjuntivo, o mesmo modo e tempo de "se achássemos". A oração principal, porém, deve receber a forma correlata na norma-padrão, que é o futuro do pretérito do indicativo.
B
Errada
"Pudéramos" é forma do pretérito mais-que-perfeito do indicativo e não corresponde à estrutura exigida por "se achássemos". Assim, rompe a correlação verbal prevista para o período hipotético.
C
Certa
A alternativa C está correta porque "poderíamos" é a forma do futuro do pretérito do indicativo que se correlaciona, na norma-padrão, com a estrutura condicional iniciada por "se" + pretérito imperfeito do subjuntivo: "se achássemos..., poderíamos...". Essa mudança preserva o valor hipotético da construção e ajusta o verbo da oração principal.
D
Errada
"Pudemos" está no pretérito perfeito do indicativo e exprime fato concluído, o que não se ajusta à hipótese introduzida por "se achássemos".
E
Errada
"Poderemos" está no futuro do presente do indicativo, mas a construção com "se achássemos" pede futuro do pretérito do indicativo na oração principal.
Pegadinha da questão
A questão tenta confundir o candidato com formas que mantêm ideia de hipótese ou de futuro, mas a resposta depende da correlação modo-temporal exata: "se achássemos" exige "poderíamos".
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro o modo e o tempo do verbo da oração introduzida por "se".
  • Em período condicional hipotético, "se" + pretérito imperfeito do subjuntivo pede futuro do pretérito do indicativo na principal.
  • Evite escolher formas que expressem fato concluído ou futuro do presente, porque elas não mantêm a correlação verbal pedida.

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Comentários

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GABARITO: LETRA C

? ?Se achássemos uma posição indefensável... PODERÍAMOS (=o verbo passaria a ser conjugado no futuro do pretérito do modo indicativo para seguir o pretérito imperfeito do subjuntivo "achássemos").

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? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

correlação verbal - pret imp do ind <=> pret imp sub

VERBO ACHAR - ACHAVAMOS = 1a PESSOA DO PLURAL NO PRETÉRITO IMPERFEITO.

ENTÃO, VERBO PODER NA 1a PESSOA DO PLURAL DO PRETÉRITO IMPERFEITO = PODERÍAMOS.

Questão de correlação verbal:

sse + ria (muito comum nas provas de concursos)

@fco , a correlação é do preterito imp do subj(sse) com futuro do preteriro (ria)

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