Em “Vemos as pessoas com quem discutimos como um adversári...
Texto I
Conceitos da vida cotidiana
A metáfora é, para a maioria das pessoas, um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico – é mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária. Mais do que isso, a metáfora é usualmente vista como uma característica restrita à linguagem, uma questão mais de palavras do que de pensamento ou ação. Por essa razão, a maioria das pessoas acha que pode viver perfeitamente bem sem a metáfora. Nós descobrimos, ao contrário, que a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, não somente na linguagem, mas também no pensamento e na ação. Nosso sistema conceptual ordinário, em termos do qual não só pensamos, mas também agimos, é fundamentalmente metafórico por natureza. Os conceitos que governam nosso pensamento não são meras questões do intelecto. Eles governam também a nossa atividade cotidiana até nos detalhes mais triviais. Eles estruturam o que percebemos, a maneira como nos comportamos no mundo e o modo como nos relacionamos com outras pessoas. Tal sistema conceptual desempenha, portanto, um papel central na definição de nossa realidade cotidiana.
Para dar uma ideia de como um conceito pode ser metafórico e estruturar uma atividade cotidiana, comecemos pelo conceito de DISCUSSÃO e pela metáfora conceitual DISCUSSÃO É GUERRA. Essa metáfora está presente em nossa linguagem cotidiana numa grande variedade de expressões:
Seus argumentos são indefensáveis.
Ele atacou todos os pontos da minha argumentação.
É importante perceber que não somente falamos sobre discussão em termos de guerra. Podemos realmente ganhar ou perder uma discussão. Vemos as pessoas com quem discutimos como um adversário. Atacamos suas posições e defendemos as nossas. Planejamos e usamos estratégias. Se achamos uma posição indefensável, podemos abandoná-la e colocar-nos numa linha de ataque. Muitas das coisas que fazemos numa discussão são parcialmente estruturadas pelo conceito de guerra.
Esse é um exemplo do que queremos dizer quando afirmamos que um conceito metafórico estrutura (pelo menos parcialmente) o que fazemos quando discutimos, assim como a maneira pela qual compreendemos o que fazemos.
(LAKOFF, G. & JOHNSON, M. Texto adaptado de Metáforas da vida
cotidiana. Campinas: Mercado de Letras; São Paulo: Educ, 2002, p. 45-47.)
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Tema central da questão: Regência Verbal
A questão exige identificar a alternativa incorreta quanto à regência verbal. Regência verbal é a relação entre o verbo e o termo que completa seu sentido, podendo ou não exigir preposição (vide Bechara, Moderna Gramática Portuguesa).
Justificativa da alternativa correta (C):
A alternativa C) "Vemos as pessoas de quem nos referimos como um adversário." apresenta erro de regência. O verbo referir-se é transitivo indireto e exige a preposição a: "referir-se a algo/alguém". Portanto, o correto seria: "pessoas a quem nos referimos".
Esse tipo de erro é frequente em provas, pois exige conhecimento sobre a preposição certa a ser usada com quem após determinados verbos. A ausência da preposição "a" fere a norma-padrão, conforme Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo).
Análise das demais alternativas:
A) "de quem gostamos" & B) "de quem não nos lembramos": Corretas. Gostar de e lembrar-se de exigem a preposição "de".
D) "que não nos ajudaram": Correta. Ajudar é transitivo direto (não requer preposição).
E) "a quem nos dirigimos": Correta. Dirigir-se a exige a preposição "a", mantida corretamente antes de "quem".
Dicas de Prova e Pegadinhas:
Fique atento à preposição exigida pelos verbos e à ligação com pronomes relativos como "quem". Erros de regência por omissão ou troca de preposição são pegadinhas comuns.
Para resolver, lembre-se: Consulte mentalmente ou anote durante os estudos um quadro de regências (Bechara; Cunha e Cintra) e identifique o verbo no contexto da frase.
Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo; Luft, Dicionário Prático de Regência Verbal.
Gabarito: C
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Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
GABARITO: LETRA C
? Queremos a alternativa incorreta:
? Vemos as pessoas de quem nos referimos como um adversário ? Referimo-nos a alguém (=a quem nos referimos) e não "de".
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? FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
Pensei assim: "vemos as pessoas as quais nos referimos".
lembrar alguém de algo.
lembrar algo a alguém.
Verbo REFERIR pede preposição A
Vemos as pessoas a quem nos referimos como um adversário
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