A anestesia em répteis pode ser desafiadora por vários motiv...
Gabarito comentado
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Tema central: anestesia em répteis e suas particularidades fisiológicas que impactam a ventilação, a hemodinâmica e a farmacocinética dos anestésicos, especialmente os inalatórios.
Alternativa correta: E — Hiperóxia (FiO2 100%) pode deprimir a ventilação em algumas espécies, como a iguana-verde, reduzindo o volume-minuto. Em répteis, o drive ventilatório é fortemente influenciado pela hipóxia; quando expostos a O2 a 100%, há supressão dos quimiorreceptores periféricos e queda da ventilação, efeito potencializado por anestésicos que já deprimem centros respiratórios. Clinicamente: considerar FiO2 titulada (ex.: 30–50% quando possível), capnografia e ventilação assistida/controlada quando houver hipoventilação. Evidências: Veterinary Anesthesia and Analgesia (Grimm, 6ª ed.), Mader’s Reptile and Amphibian Medicine and Surgery (3ª ed.), revisão de controle ventilatório em répteis (Jackson; Glass).
Análise das incorretas
A) Afirmar que o impacto dos shunts direita–esquerda é desprezível está errado. Esses shunts, comuns em répteis, reduzem a captação alveolar de anestésico inalatório, levando a indução mais lenta e recuperação imprevisível conforme a dinâmica do shunt. Referência: Veterinary Anesthesia and Analgesia; Mader.
B) Os mecanismos e valores de pressão arterial não são uniformes nem “muito similares” aos de mamíferos. Répteis apresentam ampla variação interespecífica, uso de shunts e regulação autonômica distinta (p.ex., histerese de frequência cardíaca com temperatura). Logo, a generalização é incorreta. (Mader).
C) O consumo de O2 em répteis é menor que em mamíferos e aves (são ectotérmicos, com metabolismo basal reduzido). A justificativa de “baixo fluxo sanguíneo” para maior VO2 é conceitualmente errada; o determinante principal é a ectotermia. (Mader; textos de fisiologia comparada).
D) Dizer que a depressão respiratória “tende a ser menor” é enganoso. Apesar do metabolismo baixo, répteis são propensos a apneia/hipoventilação sob anestesia devido à sensibilidade central e ao padrão de breath-holding; frequentemente requerem ventilação assistida. Portanto, a depressão pode ser clinicamente mais relevante. (Veterinary Anesthesia and Analgesia).
Estratégia para a prova: procure por pistas-chave — hiperóxia deprime ventilação em répteis; shunt D–E atrasa indução com inalatório; répteis = ectotérmicos → menor VO2; ventilação frequentemente precisa de suporte. Essas âncoras eliminam armadilhas conceituais.
Referências úteis: Grimm KA et al. Veterinary Anesthesia and Analgesia, 6ª ed.; Mader DR & Divers SJ. Mader’s Reptile and Amphibian Medicine and Surgery, 3ª ed.; Jackson DC; Glass ML (ventilatory control in reptiles).
Gabarito: E.
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