A deficiência da 21-hidroxilase (CYP21A2) causa defeitos na...
I - A forma com perda de sal é a mais grave e responsável por 70% dos casos clássicos de deficiência de 21-hidroxilase; há deficiência completa na atividade enzimática, que resulta em níveis muito baixos de cortisol e aldosterona. Como a secreção de aldosterona é mínima, perde-se sal, o que leva à hiponatremia, hiperpotassemia e maior atividade da renina plasmática.
II - Deficiência não clássica da 21-hidroxilase é mais comum do que a deficiência da 21- hidroxilase. A incidência varia de 1/1000 a 1/2000 nascidos vivos em pessoas brancas (0,1 a 0,2%) e de 1 a 2% em certos grupos étnicos (por exemplo, judeus asquenazes). A deficiência não clássica de 21-hidroxilase causa uma forma menos grave da doença em que há 20 a 50% de atividade da 21- hidroxilase (em comparação com a atividade de 0 a 5% na deficiência clássica de 21- hidroxilase).
III - Crianças com deficiência não clássica de 21-hidroxila têm sintomas no nascimento e, geralmente, se manifestam somente na adolescência.
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Tema central: A questão aborda a deficiência da 21-hidroxilase, principal causa da hiperplasia adrenal congênita (HAC), e seus diferentes espectros clínicos: as formas clássicas (com e sem perda de sal) e a forma não clássica.
Comentário didático: A 21-hidroxilase (CYP21A2) é indispensável na síntese de cortisol e aldosterona pelas adrenais. Sua deficiência leva ao acúmulo de precursores androgênicos, resultando em virilização, além de deficiências variáveis de corticoides e mineralocorticoides.
Análise das alternativas:
I - Correto. A forma clássica com perda de sal é a mais grave, representando cerca de 60–70% dos casos clássicos. Nela, há deficiência quase total de 21-hidroxilase, com níveis muito baixos de cortisol e aldosterona, levando à hiponatremia, hiperpotassemia e aumento da renina plasmática. Segundo o PCDT-HAC/MS: “Na perda de sal ocorre depleção de volume, desidratação, hipotensão, hiponatremia e hiperpotassemia.”
II - Correto. A forma não clássica é de fato mais comum que a clássica, com incidência variando de 0,1–2%, dependendo do grupo étnico. Apresenta atividade residual da enzima (20–50%) e quadro clínico mais brando. Diretrizes da SBEM e PCDT-HAC confirmam esses dados de prevalência.
III - Incorreto. Crianças com deficiência não clássica NÃO manifestam sintomas imediatamente ao nascimento. Os sintomas surgem geralmente na infância ou adolescência, com sinais leves de hiperandrogenismo (pubarca precoce, acne, hirsutismo). O erro está em afirmar sintomas neonatais, característicos apenas das formas clássicas.
Gabarito: A) Somente os itens I e II estão corretos.
Estratégia de prova e dica: Fique atento a detalhes temporais (“ao nascimento”) e gravidade das manifestações. Pegadinhas podem surgir ao inverter manifestações clássicas e não clássicas, como neste item III.
Referências: • Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Hiperplasia Adrenal Congênita/MS (seções sobre classificação e semiologia). • Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed., capítulo HAC. • UpToDate: “Clinical manifestations and diagnosis of classic congenital adrenal hyperplasia due to 21-hydroxylase deficiency”.
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