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Q3506689 Veterinária
O jejum pré-anestésico faz parte do preparo dos pacientes para anestesia/cirurgia. Assinale a alternativa correta quanto ao jejum pré-anestésico em ruminantes. 
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Tema central: jejum pré-anestésico em ruminantes. O objetivo é reduzir o volume ruminal, a produção de gases e o risco de regurgitação/aspiração, além de facilitar a ventilação e o decúbito. O jejum deve considerar espécie e idade, pois neonatos têm reservas energéticas limitadas.

Alternativa correta: EJejum prolongado em bovinos (48 h) pode estar associado a bradicardia por até 48 h ou mais. Em bovinos, a privação alimentar prolongada pode levar a hipoglicemia, desequilíbrios eletrolíticos (p.ex., hipocalemia), acidose metabólica leve e aumento do tônus vagal, fatores que favorecem bradicardia e bradiarritmias no perioperatório, potencializadas por fármacos como alfa-2 agonistas (p.ex., xilazina). Descrições em grandes animais reportam bradicardia persistente no pós-anestésico quando o jejum é excessivo, sobretudo associado a sedativos e decúbito prolongado (Riebold, Large Animal Anesthesia; Hall & Clarke’s Veterinary Anaesthesia; Grimm, Veterinary Anesthesia and Analgesia).

Por que as demais estão incorretas?

A — “Esvaziar completamente o estômago”. Em ruminantes não é possível esvaziar completamente o rúmen-retículo por jejum; há fermentação contínua e líquidos residuais. O objetivo real é redução do conteúdo, nunca esvaziamento total. Além disso, regurgitação pode ocorrer mesmo com jejum adequado, exigindo intubação orotraqueal com cuff e posicionamento cabeça-baixa para proteção das vias aéreas (Grimm; Hall & Clarke).

B — “4–6 h para ovelhas, cabras e camelídeos”. Tempo insuficiente. Recomenda-se, em geral, 12–24 h de jejum de sólidos e 6–12 h de água para pequenos ruminantes e camelídeos, conforme condição corporal e procedimento (Riebold; Tranquilli/Grimm). 4–6 h não reduz adequadamente volume ruminal nem risco de regurgitação.

C — “Regurgitação é menos comum após >48 h”. Falso. Jejum não previne regurgitação; jejum excessivo pode causar atonia ruminal e alterações do conteúdo líquido que mantêm o risco e pioram a estabilidade hemodinâmica sob anestesia. O manejo correto é jejum adequado + proteção de via aérea, não prolongar além do necessário.

D — “Bezerros neonatos: 8–10 h”. Em neonatos (bezerros lactentes, funcionalmente monogástricos pelo reflexo do sulco esofágico), o jejum deve ser curto: 2–4 h no máximo, para evitar hipoglicemia, hipotermia e desidratação (Riebold; Hall & Clarke). 8–10 h é excessivo e inseguro.

Estratégia para prova: memorize faixas práticas — bovinos adultos: sólidos 24–48 h, água 12 h; ovinos/caprinos/camelídeos: sólidos 12–24 h, água 6–12 h; neonatos: 2–4 h. Lembre que o alvo é reduzir o conteúdo ruminal e que regurgitação sempre é um risco; portanto, intubação com cuff é mandatória.

Referências: Riebold TW. Large Animal Anesthesia, 5ª ed.; Hall & Clarke’s Veterinary Anaesthesia, 11ª–12ª ed.; Grimm KA et al. Veterinary Anesthesia and Analgesia, 5ª ed.; Valverde A. UpToDate (tópicos de anestesia em ruminantes, quando disponível).

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