Leia o caso clínico a seguir. Paciente de sete anos, do sex...

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Q4154194 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Paciente de sete anos, do sexo masculino, portador de anemia falciforme, vem à consulta por apresentar palidez mais acentuada. Também apresentou febre de até 38,2 ºC, por dois dias seguidos, com melhora dois dias antes do atendimento. Ao exame físico, o paciente se apresenta descorado +++/4+, sem visceromegalias ou outras alterações ao exame físico. Hemograma: hemoglobina 4,5 g/dl; hematócrito 14,8% hipocromia+; microcitose+; VCM 80; HCM 26; reticulócitos 0,7%; leucócitos 7.600/mm³ com 2% bastonetes; 65% segmentados; 1% monócito; 2% basófilos; 30% linfócitos; plaquetas: 326.000/mm3.

Nesse caso, a hipótese diagnóstica é:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em criança com anemia falciforme, queda aguda importante da hemoglobina associada a reticulocitopenia caracteriza crise aplástica. No caso, Hb de 4,5 g/dL com reticulócitos de 0,7% após febre recente indica supressão transitória da eritropoiese, o que sustenta o gabarito B e afasta sequestro esplênico, crise vaso-oclusiva e crise hiper-hemolítica.

Tema central: Crise aplástica falcêmica
Análise das alternativas
A
Errada
Sequestro esplênico é afastado pela ausência de visceromegalias, especialmente esplenomegalia, que é achado esperado no aprisionamento agudo de sangue no baço. Além disso, esse quadro costuma manter produção medular preservada, com reticulocitose, e não reticulocitopenia.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o caso mostra o padrão fisiopatológico de falência transitória da produção eritroide em paciente com hemólise crônica de base. Na anemia falciforme, espera-se reticulocitose basal; portanto, reticulócitos de 0,7% diante de anemia grave indicam resposta medular inadequada. A febre recente funciona como pródromo infeccioso compatível com o quadro classicamente associado à crise aplástica. Não se pode afirmar confirmação etiológica por parvovírus B19 apenas com esse enunciado, mas a associação é a explicação típica sustentada pela base.
C
Errada
Crise vaso-oclusiva é definida por síndrome dolorosa isquêmica aguda. O enunciado não traz dor óssea, abdominal, torácica ou outro quadro álgico que sustente esse diagnóstico. A reticulocitopenia ainda desloca o raciocínio para aplasia medular, não para vaso-oclusão.
D
Errada
Crise hiper-hemolítica implica aumento agudo da destruição periférica de hemácias, situação em que se espera medula responsiva com reticulocitose, frequentemente com sinais de hemólise como icterícia. O caso mostra o oposto: reticulócitos baixos, que apontam para hipoatividade eritroide. Não se pode afirmar hemólise aguda importante sem marcadores como bilirrubina, LDH ou icterícia.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de valorizar apenas a anemia grave na doença falciforme; o dado que realmente decide é o reticulócito baixo, e a ausência de esplenomegalia exclui a confusão com sequestro esplênico.
Dica para questões semelhantes
  • Em anemia falciforme com queda aguda da Hb, primeiro diferencie produção medular baixa de destruição periférica usando a contagem de reticulócitos.
  • Reticulocitopenia em paciente falcêmico favorece crise aplástica; reticulocitose favorece hemólise aumentada ou sequestro esplênico.
  • Se a hipótese for sequestro esplênico, procure esplenomegalia aguda no exame físico; sua ausência pesa contra esse diagnóstico.
  • Não chame de crise vaso-oclusiva sem quadro doloroso isquêmico compatível.

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