Um teste rápido foi reagente para o vírus da hepatite C (HCV...
Em relação à hepatite C, é correto afirmar que o tratamento
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Tema central: manejo da hepatite C com infecção ativa (teste molecular positivo para HCV RNA) e indicação do tratamento antiviral. O teste rápido reagente (anticorpo anti‑HCV) exige confirmação por HCV‑RNA para definir infecção ativa e elegibilidade terapêutica.
Alternativa correta: C – DAAs (antivirais de ação direta) são indicados para todos os pacientes com infecção ativa. Diretrizes atuais (OMS 2022/2024; AASLD/IDSA 2023; EASL 2020; PCDT-MS Brasil 2023) recomendam tratar todos os virêmicos visando eliminar o HCV, reduzir complicações (cirrose, CHC) e interromper a transmissão. As taxas de RVS (>95%) com esquemas pangenotípicos como sofosbuvir/velpatasvir por 12 semanas ou glecaprevir/pibrentasvir por 8–12 semanas sustentam essa estratégia. Exceção prática: pacientes com expectativa de vida muito limitada por causa não hepática, em que o benefício é improvável.
Raciocínio clínico: “Infecção ativa” = HCV‑RNA detectável. Isso aciona o tratamento imediato com DAA, independentemente do genótipo (regimes pangenotípicos) e do grau de fibrose, incluindo cirrose, ajustando o esquema conforme o estadiamento.
Por que as demais estão incorretas?
A) “Interferon para todos”. Incorreta. O interferon foi abandonado como primeira linha: menor eficácia, longa duração, muitos efeitos adversos (citopenias, depressão, disfunção tireoidiana). Diretrizes atuais recomendam DAA em vez de interferon (UpToDate; AASLD/IDSA).
B) “Ribavirina somente para fibrose leve”. Incorreta. A ribavirina não é usada em monoterapia e tampouco “somente” em casos leves. Hoje é adjuvante em cenários específicos (ex.: cirrose descompensada com sofosbuvir/velpatasvir; alguns resgates), devido a maior barreira virológica necessária. Além disso, é teratogênica e causa anemia hemolítica, exigindo cautela.
D) “DAA só para não cirróticos”. Incorreta. Cirrose compensada também deve ser tratada com DAA. Em cirrose descompensada, DAAs são indicados, porém sem inibidores de protease e, em alguns casos, com SOF/VEL ± ribavirina (EASL; PCDT-MS). Logo, a presença de cirrose não exclui tratamento; orienta a escolha do regime.
Pontos-chave para a prova:
- Confirmação diagnóstica: anti‑HCV positivo + HCV‑RNA detectável = infecção ativa.
- Tratar todos os virêmicos com DAA; avaliar fibrose (FIB‑4/APRI), função renal/hepática, coinfecções (HBV/HIV) e interações medicamentosas.
- Esquemas pangenotípicos permitem dispensar genotipagem na maioria dos casos.
- Palavras como “somente” e “para todos”: cuidado. Hoje, “para todos com infecção ativa” aplica‑se aos DAA, não ao interferon ou à ribavirina.
Referências essenciais: OMS 2022/2024 HCV Guidelines; AASLD/IDSA HCV Guidance 2023; EASL 2020; PCDT Hepatites Virais – Ministério da Saúde 2023; Harrison’s; UpToDate.
Gabarito: C.
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