Chat GPT: quem tem medo da inteligência artificial?
Se você ainda não teve acesso diretamente, pelo
menos já deve ter ouvido falar do Chat GPT, uma
ferramenta de inteligência artificial lançada há pouco
tempo que está provocando debates acalorados sobre
praticidade, desvio ético, violação de direito autoral e
plágio no ambiente digital. A partir de uma compilação de
dados lançados na internet, os robôs que estão por trás da
ferramenta podem entregar ao usuário uma infinidade de
informações.
Não há limites para uma consulta. Você pode pedir
ao Chat GPT para que escreva uma crônica sobre O
centenário de fundação do Sampaio Correia, ele entrega.
Se você optar por um relatório técnico sobre a economia
do Maranhão, ele entrega. Se você quer escrever um
conto sobre solidão, mas não sabe nem por onde
começar, ele entrega. Se você pretende escrever uma
poesia sobre a brisa da praia do Calhau, e não tem a
menor ideia de como fazer, a ferramenta entrega. As
linhas gerais de uma dissertação de mestrado. Uma
simples receita de arroz de cuxá. Um discurso. Um ensaio
literário. Um diagnóstico médico? Sim, até um diagnóstico
médico.
As respostas, em forma de texto, são
extremamente rápidas. Se são úteis? Se são confiáveis?
O Chat GPT oferece informações rarefeitas, recicladas,
que podem ou não servir ao interesse do usuário. As
respostas são genéricas, algumas vezes superficiais,
quando o tema requer uma avaliação mais técnica ou
acadêmica. Quando o assunto exige uma elaboração mais
subjetiva, como é o caso da linguagem literária (um poema
ou conto, por exemplo), as respostas são simplórias, mas
pelo menos garantem a arquitetura do resultado, um ponto
de partida, um rascunho fluido, sem muita inventividade.
Novidade que mais parece uma simbiose prosaica
de duas ferramentas populares, como o Google e a Alexa,
o Chat GPT desperta, no mínimo, curiosidade. Mas tem
despertado mesmo é muita preocupação entre
professores, que, com o advento dessa tecnologia, já não
sabem mais se determinado conteúdo foi escrito de fato
pelo aluno ou se é mera obra de robôs.
O que é ruim para a área de educação - pelo
estímulo natural da ferramenta à formação de uma massa
de alunos reprodutores de conteúdo de internet, de uma
geração de ineptos não é bom também para questões
como ética e direito autoral. O Chat GPT nasceu com о
"vício crônico" de não citar fontes. O robô simplesmente
faz uma varredura na internet, mistura frases e parágrafos
no liquidificador e regurgita o resultado em poucos
segundos, como algo novo. Mas não cita a origem das
informações, não dá nome aos autores garimpados. Tudo
isso, claro, pode resultar numa fraude grosseira de
conteúdo alheio. O risco de plágio é altíssimo.
Mas - dirão os defensores do uso da tecnologia
fora do ambiente da inteligência artificial o mundo anda
cheio de plagiários, imitadores da criação alheia, jabutis e
embusteiros profissionais. Muitos deles aplaudidos por
suas obras-primas, premiados pelos incautos. [...]
Há versões gratuitas do Chat GPT, de conteúdo
mais simples, e existem também aplicativos pagos, com
possibilidades de buscas mais avançadas. E hoje não faltam concorrentes da ferramenta no mercado digital,
como Meta, ChatSonic, Bing, Bard e algumas outras ainda
em fase de desenvolvimento. Ou seja, estamos apenas no
começo dessa corrida insana pelo eldorado da inteligência
artificial.
Não temos a menor ideia onde tudo isso vai dar.
Estamos diante de uma realidade que não tem mais volta.
Ferramentas como o Chat GPT não devem impor medo,
mas atenção. A inteligência artificial não pode ser utilizada
como um vagão desgovernado nas infovias digitais capaz
de atropelar a ética, o direito autoral. É preciso estabelecer
a distância necessária entre conhecimento propriamente
dito e informação instantânea subtraída de uma máquina.
Para isso, vale discernir, no uso corrente da tecnologia, o
que é pesquisa de fato daquilo que pode ser um exercício
meramente lúdico.
Félix Alberto. Disponível em: <<https://imirante.com/noticias/saoluis/2023/03/03/chat-gpt-quem-tem-medo-da-inteligenciaartificial>>. Acesso em 10/10/2023. Adaptado.
Assinale a opção que apresenta uma oração subordinada
adjetiva.