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Q630217 Português

      As artes plásticas apresentam-se a nós no espaço: recebemos uma impressão global antes de detectar os detalhes, pouco a pouco e em nosso ritmo próprio. A música, porém, baseia-se numa sucessão temporal, e exige uma memória alerta. Sendo assim, a música é uma arte cronológica, assim como a pintura é uma arte espacial. A música pressupõe, antes de tudo, certa organização do tempo, uma crononomia, se me permitem esse neologismo.

      As leis que regulam o movimento dos sons exigem a presença de um valor mensurável e constante: a métrica, elemento puramente material, através do qual o ritmo, elemento puramente formal, se realiza. Em outras palavras, a métrica resolve a questão de em quantas partes iguais será dividida a unidade musical que denominamos compasso, enquanto o ritmo resolve a questão de como essas partes iguais serão agrupadas dentro de um determinado compasso. [...]

      Vemos portanto que a métrica – já que intrinsecamente oferece apenas elementos de simetria, sendo inevitavelmente composta de quantidades iguais – é necessariamente utilizada pelo ritmo, cuja função é estabelecer a ordem no movimento dividindo as quantidades fornecidas pelo compasso.


(Fragmento extraído de Igor Stravinsky. Poética musical. Trad. Luiz Paulo Horta. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1996. p.35)

A frase redigida inteiramente de acordo com as normas de concordância verbal e nominal está em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a concordância verbal e nominal aplicada às alternativas, conforme a norma-padrão. A correta é a que mantém todos os verbos e termos nominais de acordo com seus sujeitos e com as estruturas exigidas pela regência e pela concordância; as demais apresentam desvios objetivos de concordância.

Tema central: concordância verbal e nominal
Análise das alternativas
A
Certa
Na alternativa A, toda a estrutura está de acordo com a norma-padrão. Em “a que se refere Stravinsky”, o verbo “refere” concorda com o sujeito posposto “Stravinsky”. Em “A diferença fundamental (...) não implica”, o verbo concorda com o núcleo singular “diferença”. Em “como o sugere o título”, o verbo também está corretamente no singular porque o sujeito é “o título”. Não há quebra nem de concordância verbal nem de concordância nominal.
B
Errada
Há dois erros. Primeiro, erro de concordância nominal em “imaginar músicos (...) indiferente à pintura”: o predicativo deve concordar com “músicos”, portanto o correto seria “indiferentes”. Segundo, erro de concordância verbal em “pintores (...) que não tenha se encantado”: o pronome relativo “que” retoma “pintores”, antecedente plural; por isso o verbo deve ir ao plural: “tenham se encantado”.
C
Errada
O erro principal está em “Não devem haver muitos compositores”. O verbo “haver”, com sentido de existir, é impessoal e deve permanecer no singular: “deve haver”. Além disso, em “de modo a se fazer entendido”, a forma final não se ajusta ao referente plural “compositores”; a concordância esperada seria “a se fazerem entendidos”.
D
Errada
O verbo principal foi pluralizado por atração, mas o sujeito da oração é singular. Em “A menção de Stravinsky às leis a que se submetem o movimento dos sons só podem surpreender”, o núcleo do sujeito é “menção”. Logo, a forma correta é “só pode surpreender”. O plural de “leis” e o verbo “se submetem” pertencem a outra estrutura e não comandam a concordância do verbo principal.
E
Errada
Também há dois erros. Em “sobre a qual tem sido escritos tantos tratados”, o sujeito é plural, “tantos tratados”; por isso a locução deve ir ao plural: “têm sido escritos”. Além disso, em “Nem mesmo um campo tão estruturado como a música (...) podem dispensar”, o verbo deveria concordar com o núcleo do sujeito, “um campo”, que está no singular. O correto seria “pode dispensar”.
Pegadinha da questão
A banca explora concordância por atração: o candidato tende a flexionar o verbo ou o predicativo pelo termo mais próximo — “leis”, “tratados”, “músicos”, “muitos compositores” — e não pelo núcleo do sujeito ou pela regra específica do verbo impessoal “haver”.
Dica para questões semelhantes
  • Localize o núcleo do sujeito antes de decidir a flexão do verbo; termos preposicionados e estruturas intercaladas não comandam a concordância principal.
  • Com pronome relativo “que”, verifique qual é o antecedente retomado; é ele que determina o número do verbo.
  • Se “haver” tiver sentido de existir, mantenha-o no singular, mesmo dentro de locução verbal.
  • Em locuções com particípio, confira se a forma nominal concorda com o termo a que se refere.

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Comentários

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a) Correta

 b) ...não há como imaginar músicos indiferenteS à pintura, e pintores que não tenhaM se encantado com a música. 

 c) Não devem haver muitos compositores que, como Stravinsky, aliam a genialidade na criação musical ao talento para falar sobre a música, de modo a se fazer entendido até mesmo por quem nada entende de ritmo e compasso. > DEVE haver (=existir)

 d) A menção de Stravinsky às leis a que se submetem o movimento dos sons só podem surpreender aqueles que ingenuamente acreditam na suficiência do espontaneísmo e da inspiração na criação musical.  > A menção só PODE

 e) Nem mesmo um campo tão estruturado como a música, sobre a qual tem sido escritos tantos tratados, por um sem-número de diferentes teóricos, podem dispensar um neologismo, como aquele que Stravinsky propõe. > Um campo PODE

Só não entendi uma coisa: "... como o sugere o título de uma composição de outro compositor russo..."

Como o sugerem o?

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