Um paciente de 65 anos, hipertenso em uso de atenolol, cheg...

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Q3792233 Medicina
Um paciente de 65 anos, hipertenso em uso de atenolol, chega ao departamento de urgência com síncope precedida de breve sensação de aperto precordial. Ao exame, apresenta frequência cardíaca de 35 batidas por minuto e pressão arterial de 80x50 mmHg. O eletrocardiograma evidencia ausência de condução atrioventricular com ritmo idioventricular. Considere os achados clínicos e laboratoriais apresentados:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A ausência de condução atrioventricular com ritmo idioventricular, associada a FC de 35 bpm, síncope e PA de 80x50 mmHg, define bloqueio atrioventricular de terceiro grau com dissociação AV completa e bradicardia instável; por isso, a alternativa correta é a C e há indicação de marcapasso transcutâneo emergencial.

Tema central: BAV total instável
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque síncope vasovagal é um diagnóstico reflexo clínico e não explica o achado decisivo do ECG: ausência de condução atrioventricular com ritmo idioventricular. Além disso, FC de 35 bpm com PA de 80x50 mmHg caracteriza bradicardia grave com instabilidade hemodinâmica, situação que requer intervenção urgente e não pode ser tratada como episódio reflexo sem necessidade de ação imediata.
B
Errada
Está errada porque bloqueio AV de primeiro grau não cursa com interrupção completa da condução. Nele, a condução AV está preservada e o achado é prolongamento do intervalo PR. O enunciado descreve o oposto: ausência de condução atrioventricular e ritmo idioventricular de escape, compatíveis com dissociação AV completa, não com primeiro grau.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve exatamente o quadro informado: bloqueio atrioventricular de terceiro grau com dissociação AV completa documentada pela ausência de condução AV, associado a ritmo de escape idioventricular. Esse escape ventricular costuma ser lento, o que explica a frequência de 35 bpm e a repercussão clínica com síncope e hipotensão. Nesse contexto, não cabe observação isolada: há instabilidade hemodinâmica por bradiarritmia grave, e a conduta emergencial apropriada é estimulação cardíaca temporária, com marcapasso transcutâneo.
D
Errada
Está errada porque, embora o atenolol possa contribuir para bradicardia ou agravar bloqueio AV, o caso já documenta bloqueio AV total com instabilidade importante. Síncope, hipotensão e FC de 35 bpm não permitem assumir resolução apenas com suspensão medicamentosa e observação. Essa conduta é tecnicamente inadequada porque posterga a estimulação cardíaca temporária em uma bradiarritmia instável.
E
Errada
Está errada porque flutter atrial com resposta ventricular lenta não corresponde ao traçado descrito no enunciado. A questão já define ausência de condução AV com ritmo idioventricular, que caracteriza escape ventricular em contexto de dissociação AV completa. Isso não equivale a uma taquiarritmia atrial organizada com condução ventricular reduzida.
Pegadinha da questão
A banca usa o atenolol e a própria síncope para induzir hipóteses de efeito medicamentoso ou síncope vasovagal, mas o achado que decide a questão é o ECG com ausência de condução AV e ritmo idioventricular, somado à hipotensão.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado disser ausência de condução atrioventricular, pense primeiro em bloqueio AV total, não em síncope reflexa nem em bloqueio de primeiro grau.
  • Ritmo idioventricular de escape indica foco ventricular, geralmente mais lento e com maior chance de repercussão hemodinâmica.
  • Bradicardia com síncope e hipotensão deve ser lida como instabilidade hemodinâmica; nesse cenário, observação isolada não é conduta adequada.
  • Não deixe fator de confusão, como betabloqueador em uso, apagar o diagnóstico principal quando o ECG já define bloqueio AV avançado.

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