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Ano: 2020
Banca:
Itame
Órgão:
Prefeitura de Varjão - GO
Provas:
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Agente Administrativo
|
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Agente Arrecadador |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Agente Comunitário de Saúde |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Auxiliar de Recursos Humanos |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Auxiliar de Controle Interno |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Agente de Vigilância Sanitária |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Agente de Combate às Endemias |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Fiscal de Meio Ambiente |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Fiscal de Obras e Posturas |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Fiscal de Tributos Municipais |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Monitor de Ensino |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Técnico Agrícola |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Técnico em Enfermagem |
Itame - 2020 - Prefeitura de Varjão - GO - Técnico em Higiene Dental |
Q4267320
Não definido
Texto associado
Leia o texto para responder a questão.
Do coração partido
Sentada junto à sacada para que com a luz lhe
chegasse a vida da rua, a jovem costurava o longo traje
de seda cor de jade que alguma dama iria vestir.
Essa seda agora muda – pensava a costureira
enquanto a agulha que retinha nos dedos ia e vinha –
haveria de farfalhar sobre mármores, ondeando a cada
passo da dama, exibindo e ocultando nos poços das
pregas seu suave verde. O traje luziria nobre como uma
joia. E dos pontos, dos pontos todos, pequenos e
incontáveis que ela, aplicada, tecia dia após dia, ninguém
saberia.
Assim ia pensando a moça, quando uma gota de
sangue caiu sobre o tecido.
De onde vinha esse sangue? Perguntou-se em
assombro, afastando a seda e olhando as próprias mãos
limpas. Levantou o olhar. De um vaso na sacada, uma
roseira subia pela parede oferecendo, ao alto, uma única
rosa flamejante.
– Foi ela – sussurrou o besouro que parecia
dormir sobre uma folha. – Foi do seu coração partido.
Esfregou a cabeça com as patinhas. – Sensível demais,
essa rosa – acrescentou, não sem um toque de censura. –
Um mancebo acabou de passar lá embaixo, nem olhou
para ela. E bastou esse nada, essa quase presença, para
ela sofrer de amor.
Por um instante esquecida do traje, a moça
debruçou-se na sacada. Lá ia o mancebo afastando-se
num esvoejar da capa em meio às gentes e cavalos. –
Senhor! Senhor! – gritou ela, mas nem tão alto, que não
lhe ficaria bem. E agitava o braço.
O mancebo não chegou a ouvir. Afinal, não era o
seu nome que chamavam. Mas voltou-se assim mesmo,
voltou-se porque sentiu que devia voltar-se ou porque
alguém ao seu lado virou a cabeça de súbito como se não
pudesse perder algo que estava acontecendo. E voltandose viu, debruçada no alto de uma sacada, uma jovem que
agitava o braço, uma jovem envolta em sol, cuja trança
pendia tentadora como uma escada. E aquela jovem, sim,
aquela jovem o chamava.
Retornar sobre os próprios passos, atravessar um
portão, subir degraus, que tão rápido isso pode acontecer
quando se tem pressa. E eis que o mancebo estava de pé
junto à sacada, junto à moça. Ela não teve nem tempo de
dizer por que o havia chamado, que já o mancebo extraía
seu punhal e, de um golpe, decepava a rosa para lhe
oferecer.
Uma última gota de sangue caiu sobre a seda
verde esquecida no chão. Mas a moça costureira, que
agora só tinha olhos para o mancebo, nem viu.
(Marina Colasanti)
Neste texto, a construção da narratividade,
predominantemente, apresenta de forma sequenciada: