Considere as afirmações a seguir sobre a pontuação do texto...

I - A supressão concomitante das vírgulas depois de alguém (l. 04) e de toxicômano (l. 04) NÃO representa desrespeito à norma gramatical.
II - Mantendo-se o sentido original da frase, a supressão da vírgula depois de homossexuais (l. 21) NÃO representa desrespeito à norma gramatical.
III - É possível substituir o ponto final depois de punidos (l. 35) por ponto-e-vírgula, com o devido ajuste de passagem de maiúscula a minúscula na primeira letra do vocábulo no (l. 35).
Quais estão corretas?
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A 'pegadinha', na afirmativa I, está no fato de a supressão simultânea das duas vírgulas não representar necessariamente desrespeito à norma gramatical; ela produz outra organização sintática, também possível:
“Mais tarde, alguém falando de um parente próximo que é toxicômano afirmou mais do que perguntou...”
Na versão original:
“Mais tarde, alguém, falando de um parente próximo que é toxicômano, afirmou...”. O segmento “falando de um parente próximo que é toxicômano” aparece intercalado e funciona como uma informação acessória, equivalente a: “Mais tarde, alguém — enquanto falava de um parente próximo que é toxicômano — afirmou...”
Por isso, fica isolado por duas vírgulas.
Sem as vírgulas, o segmento passa a integrar o sujeito: [alguém falando de um parente próximo que é toxicômano] afirmou...
Nesse caso, “falando de...” caracteriza ou especifica “alguém”, e não deve haver vírgula entre esse sujeito ampliado e o verbo “afirmou”.
Além disso, “que é toxicômano”, sem vírgulas, é uma oração subordinada adjetiva restritiva: especifica o tipo de parente mencionado. Com vírgulas — “um parente próximo, que é toxicômano” — teria valor explicativo, como uma informação adicional.
Portanto, as duas formas são gramaticalmente possíveis, mas têm organização e sentido ligeiramente diferentes. O que seria inadequado seria retirar apenas uma das vírgulas, por exemplo: “Alguém, falando de um parente próximo que é toxicômano afirmou...”. Nesse caso, a vírgula separaria indevidamente o sujeito do predicado.
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