Lactente com seis meses, previamente hígido, é levado à UPA ...

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Q1089076 Medicina
Lactente com seis meses, previamente hígido, é levado à UPA (unidade de pronto atendimento), com história de febre (38,5º) há quatro dias, acompanhada de tosse, rinorreia hialina e irritabilidade. Há um dia vem apresentando palidez cutânea, sudorese fria e vômitos não relacionados com a alimentação. Ao exame físico: FR: 52 ipm, F: 178 bpm (em repouso), Tax: 37,1º, ausculta pulmonar com estertores subcreptantes e sibilos discretos, RCR 2T, com ritmo de galope intermitente, sopro cardíaco 2+/6+ no foco mitral, fígado a 3,0cm do rebordo costal direito, pulsos periféricos finos, perfusão capilar periférica de 3 segundos. A radiografia de tórax evidenciou: cardiomegalia discreta, congestão hilar moderada, sem áreas de escape aéreo.
O diagnóstico mais provável é:
Alternativas

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Tema central: Miocardite aguda em lactentes é o diagnóstico mais provável nos quadros de insuficiência cardíaca aguda com sintomas inespecíficos, em especial após sintomas virais. O reconhecimento precoce é vital, já que a apresentação clínica pode ser polimórfica e frequentemente confundida com doenças pulmonares.

Justificativa da alternativa correta — D) Miocardite aguda: O caso apresentava febre, irritabilidade, vômitos não alimentares (sinal de congestão sistêmica), taquipneia, taquicardia, ritmo de galope, sopro cardíaco, hepatomegalia, pulsos finos e perfusão periférica lenta — todos sinais clássicos de insuficiência cardíaca de origem miocárdica em lactente. O raio-X de tórax confirmou cardiomegalia e congestão pulmonar, reforçando o diagnóstico.

Segundo a “Diretriz de Miocardites da SBC – 2022” (Seção 6.3.2), os principais achados são: “A apresentação clínica da miocardite é extremamente variável... e pode evoluir para insuficiência cardíaca, arritmias e manifestações atípicas em crianças pequenas.” Em crianças, miocardite é desencadeada frequentemente por infecções virais (ex: Coxsackie) e pode cursar de forma abrupta.

Análise crítica das alternativas incorretas:

A) Bronquiolite viral aguda: Embora comum nesta faixa etária e cause sibilos/estertores, NÃO cursa com sinais de insuficiência cardíaca (galope, hepatomegalia, sopro). A radiografia geralmente mostra hiperinsuflação (não cardiomegalia).

B) Taquicardia supraventricular: O quadro é de início abrupto, com sintomas hemodinâmicos proeminentes, mas sem quadros infecciosos prévios, estertores ou hepatomegalia progressiva.

C) Endocardite bacteriana: Raríssima em lactente hígido. Exigiria predisposição anatômica ou presença de linhas de prótese. O quadro se arrastaria, com outros sinais infecciosos e complicações embólicas.

E) Febre reumática aguda: Praticamente INEXISTENTE em lactentes (mais comum >5 anos) e sempre antecedida de infecção estreptocócica mal tratada. Os critérios de Jones também não se encaixam.

Estratégia de prova e pontos-chave: Sinais de insuficiência cardíaca (dispneia, taquicardia, hepatomegalia, galope, pulsos finos) orientam para causa cardíaca, e a presença de sintomas sistêmicos sem lesão pulmonar dominante sugere miocardiopatia aguda. Desconfie de pegadinhas que focam apenas nos sintomas respiratórios!

Resumo final: O quadro clínico, exame físico e radiografia são clássicos de miocardite aguda em lactente. O reconhecimento e tratamento precoces impactam muito o prognóstico.

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Comentários

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A resposta correta é a alternativa D: miocardite aguda. A história clínica do lactente apresenta sintomas respiratórios com febre, palidez cutânea, sudorese fria e vômitos não relacionados com a alimentação. Ao exame físico, é possível observar estertores subcreptantes e sibilos discretos, além de um sopro cardíaco 2+/6+ no foco mitral e cardiomegalia discreta. Esses achados sugerem uma inflamação no miocárdio, que é compatível com o diagnóstico de miocardite aguda. A taquicardia e o galope intermitente também são indicativos de uma disfunção cardíaca. Portanto, é importante que o lactente seja avaliado por um cardiologista e inicie o tratamento adequado para essa condição.

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