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Q3986581 Medicina
Um médico, ao examinar um paciente que vem se sentindo dispneico, encontra um sopro diastólico aspirativo e decrescente audível no segundo espaço intercostal direito junto ao esterno, com irradiação passando pelo terceiro espaço intercostal esquerdo, junto ao esterno, atingindo o ictus cordis. Ele nota, ainda, a presença de pulso arterial célere, pressão arterial divergente e estertores finos na ausculta pulmonar. A hipótese clínica é 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que decide é semiológico: sopro diastólico precoce, aspirativo e em decrescendo ao longo da borda esternal, associado a pulso célere e pressão arterial divergente, é padrão clássico de insuficiência aórtica; como o enunciado traz essa combinação, a alternativa correta é regurgitação aórtica.

Tema central: Insuficiência aórtica
Análise das alternativas
A
Errada
Estenose mitral também pode dar sopro diastólico, mas o seu padrão é outro: sopro de baixa frequência, em ruflar, predominante no foco apical, muitas vezes com estalido de abertura. Isso contrasta com o sopro aspirativo e decrescente descrito na borda esternal. Além disso, estenose mitral não explica pulso célere nem pressão arterial divergente, que são sinais periféricos de regurgitação aórtica.
B
Errada
Estenose aórtica é excluída pelo tempo do sopro. Seu sopro típico é sistólico ejetivo em crescendo-decrescendo, não diastólico. Também há incompatibilidade nos sinais arteriais: a estenose aórtica se associa a pulso parvo e tardio, enquanto o enunciado traz pulso célere e pressão divergente, padrão oposto e típico de insuficiência aórtica.
C
Certa
A alternativa correta é a insuficiência aórtica porque ela reúne dois blocos de achados coerentes entre si: o padrão do sopro e os sinais periféricos. Na regurgitação aórtica, o refluxo de sangue da aorta para o ventrículo esquerdo na diástole gera sopro diastólico aspirativo, agudo e em decrescendo, auscultado na borda esternal. Pela mesma fisiopatologia, há queda da pressão diastólica aórtica e aumento do volume sistólico, o que explica pressão arterial divergente e pulso célere. Os estertores finos são compatíveis com repercussão hemodinâmica pulmonar de lesão aórtica importante, mas o diagnóstico é firmado principalmente pelo sopro e pelos sinais de grande pressão de pulso.
D
Errada
Insuficiência mitral produz sopro holossistólico apical com irradiação para a axila. O enunciado descreve sopro diastólico aspirativo em foco aórtico/borda esternal, portanto o padrão temporal e a irradiação não correspondem. Estertores finos e dispneia podem ocorrer na insuficiência mitral, mas esses achados isolados não superam a caracterização semiológica do sopro, que afasta essa alternativa.
Pegadinha da questão
A banca mistura congestão pulmonar com valvopatia para induzir erro por insuficiência mitral, e também usa foco aórtico para atrair estenose aórtica; o diagnóstico, porém, é decidido pelo tempo diastólico do sopro, pelo timbre aspirativo em decrescendo e pelos sinais periféricos de pressão de pulso alargada.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro defina o tempo do sopro: diastólico afasta as lesões tipicamente sistólicas, como estenose aórtica e insuficiência mitral.
  • Em sopro diastólico, use foco, timbre e formato: aspirativo em decrescendo na borda esternal favorece insuficiência aórtica; ruflar apical favorece estenose mitral.
  • Pulso célere e pressão arterial divergente são sinais periféricos decisivos de regurgitação aórtica importante.
  • Não deixe dispneia e estertores definirem o diagnóstico valvar sem integrar a semiologia cardíaca.

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