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Q3986578 Medicina

Leia o caso clínico a seguir.


Paciente, do sexo masculino, queixa-se, há uma semana, de tonturas e lipotímias recorrentes, principalmente aos esforços físicos. Um médico, ao realizar o exame físico, percebe alteração do ritmo cardíaco, com frequência cardíaca de 34 batimentos/minuto que não se alterou com estímulos adrenérgicos, primeira bulha cardíaca com intensidade variável, identificando bulha em canhão.


Qual é a hipótese clínica para essa arritmia?  

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O achado decisivo é a dissociação atrioventricular sugerida por bradicardia fixa de 34 bpm, sem resposta cronotrópica adequada, associada a primeira bulha variável e bulha em canhão; esse conjunto é clássico de bloqueio atrioventricular total e define o gabarito C.

Tema central: Bloqueio atrioventricular total
Análise das alternativas
A
Errada
Bradicardia sinusal mantém a origem do ritmo no nó sinusal e preserva a sequência atrioventricular, portanto não explica bulha em canhão nem primeira bulha variável por dissociação AV. Além disso, a falta de resposta da frequência ao estímulo adrenérgico favorece ritmo de escape, e não simples modulação sinusal.
B
Errada
Na fibrilação atrial não há contração atrial mecânica organizada. Por isso, não se produz a bulha em canhão clássica, que depende de contração atrial contra valva AV fechada. Embora possa haver primeira bulha variável e até resposta ventricular lenta, o conjunto semiológico descrito é de dissociação AV, não de fibrilação atrial.
C
Certa
No bloqueio atrioventricular total, os impulsos atriais não chegam aos ventrículos, que passam a depender de ritmo de escape, geralmente bradicárdico. Isso explica a frequência de 34 bpm e os sintomas de baixo débito, como tonturas e lipotímias. A semiologia fecha o raciocínio: primeira bulha com intensidade variável e bulha em canhão são sinais clássicos de dissociação atrioventricular, porque a contração atrial ocorre em relação temporal variável com a ventricular e, em alguns momentos, contra valvas AV fechadas.
D
Errada
Extrassístole ventricular é um batimento ectópico prematuro, tipicamente intermitente. Não justifica uma bradicardia sustentada de 34 bpm por uma semana nem o padrão clínico de dissociação AV persistente com bulha em canhão e primeira bulha variável. O caso descreve uma bradiarritmia fixa, não batimentos ventriculares isolados.
Pegadinha da questão
A banca tentou induzir o candidato a olhar apenas para a frequência baixa e marcar bradicardia sinusal, mas o dado que resolve a questão é a semiologia de dissociação AV: bulha em canhão associada a B1 variável.
Dica para questões semelhantes
  • Em bradicardia importante, procure sinais de dissociação AV no exame físico; bulha em canhão é achado fortemente direcionador.
  • Primeira bulha variável só ganha valor decisivo quando combinada com outros sinais de dissociação atrioventricular.
  • Frequência muito baixa e sem resposta cronotrópica adequada sugere ritmo de escape, não apenas lentificação sinusal.
  • Tontura e lipotímia em esforço, com bradicardia fixa, reforçam bradiarritmia com repercussão hemodinâmica.

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