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Q3158586 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que crianças pequenas gostam de ver os mesmos desenhos e ler os mesmos livros


É um sentimento familiar para muitos pais. Não importa o que você sugira, seu filho em idade pré-escolar só quer assistir aquele episódio de Bluey de novo, e não importa que ele tenha acabado de assistir. E, na hora de dormir, tem que ser um livro que você tenha lido com frequência suficiente para ter desenvolvido um repertório de vozes específicas para cada personagem.


Estes interesses profundos e repetitivos em um determinado episódio de desenho animado, jogo ou tema podem ser frustrantes para os pais que querem apenas assistir a algo diferente. Mas esta repetição, na verdade, oferece grandes benefícios para o aprendizado e o bem-estar das crianças.


Uma razão para isso é o que podemos chamar de "efeito input", que não é um conceito novo na ciência cognitiva.


Em busca de padrões


Pense no cérebro como um órgão que faz seu melhor para descobrir o que é normal em nossas vidas — o que faz parte de um padrão regular, e o que não faz. Os pesquisadores descobriram um fenômeno conhecido como "aprendizagem estatística". De acordo com esta ideia, as crianças são muito sensíveis à ocorrência de regularidades e padrões em suas vidas.


É interessante notar que os bebês são particularmente hábeis em compreender certos tipos de informação, como a probabilidade de certos sons na fala que dirigimos a eles. Mas eles precisam ser expostos a muitos exemplos disso para detectar regularidades.


Por exemplo, em todas as línguas, e o inglês não é exceção, os sons incluídos nas palavras tendem a seguir determinados padrões. Por exemplo, algumas das combinações mais comuns de três letras em inglês são "the", "and" e "ing". Faz sentido que o cérebro das crianças busque a repetição — neste exemplo, isso vai ajudá-las a aprender o idioma.


Portanto, quando as crianças pequenas voltam a assistir ao mesmo programa, o que elas estão fazendo, quer saibam ou não, é motivado pelo desejo de detectar e consolidar os padrões do que estão assistindo, ouvindo ou lendo.


Conforto familiar


Além de apoiar o aprendizado, a repetição também oferece benefícios para as emoções das crianças, no que estamos chamando aqui de "efeito de bem-estar".


A principal tarefa da infância é o aprendizado, e isso significa buscar ativamente novas experiências e estímulos. No entanto, ter que processar e se adaptar a coisas novas pode ser exaustivo, mesmo para uma criança pequena com energia inesgotável.


O mundo também pode ser um lugar mais estranho e estressante para as crianças do que para os adultos. Como adulto, você terá aprendido o que esperar e como se comportar em determinados contextos, mas as crianças estão constantemente se deparando com situações novas pela primeira vez.


Estímulos bem conhecidos, como aquele episódio de desenho animado que elas já assistiram inúmeras vezes, podem proporcionar uma fonte de conforto e segurança que protege contra esse estresse e incerteza.


Interesses profundos em uma atividade específica também podem proporcionar benefícios de bem-estar por meio de uma sensação de controle e domínio.


As crianças estão constantemente sendo desafiadas em relação ao que sabem e entendem na creche, na escola e em outros lugares. Isso é fundamental para o aprendizado, mas também representa uma ameaça aos seus sentimentos de competência.


A capacidade de relaxar durante uma atividade na qual se sentem bem, como um jogo favorito, atende a essas necessidades de competência.


Além disso, o fato de poderem optar por uma atividade de que gostam permite que tenham um senso de autonomia e controle sobre suas vidas, que, de outra forma, podem se resumir a serem levadas para lá e para cá pelos pais.


É claro que nem todas as crianças têm a mesma probabilidade de desenvolver estes tipos de interesses repetitivos. Por exemplo, crianças com autismo geralmente apresentam interesses particularmente específicos.


A repetição tem um valor enorme em termos de aprendizado e bem-estar. Portanto, embora você não deva forçá-las a assistir novamente aos programas, também não precisa se preocupar se isso for algo que elas próprias estão buscando.


No entanto, pode se tornar problemático se afetar a capacidade da criança de se envolver em outros aspectos importantes da sua vida, como sair de casa na hora certa, interagir com outras pessoas ou praticar exercícios físicos.


É claro que não existe uma regra de ouro que possa ser aplicada a todas as crianças em todos os contextos.


Como pais, só podemos ficar atentos à situação e tomar uma decisão. Mas, ao colocar Frozen mais uma vez, pense nos efeitos de input e bem-estar, e tente deixar de lado a preocupação de que seu filho deveria estar fazendo algo — qualquer outra coisa! — diferente.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0lg061w184o
Os trechos a seguir, retirados do texto, apresentam palavras destacadas que foram empregadas no sentido denotativo, EXCETO:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema da questão (Semântica): identificação de sentido denotativo (literal) versus sentido conotativo (figurado). Segundo a gramática normativa (Bechara; Cunha & Cintra), denotação é o sentido básico, dicionarizado; conotação é o uso figurado, metafórico ou idiomático.

Estratégia para resolver: - Pergunte-se: a palavra destacada descreve algo literal e observável ou está em expressão idiomática/metafórica? - Se for possível entender a palavra “ao pé da letra” sem deslocamento de sentido, trata-se de denotação. - Se a palavra integra uma expressão cristalizada que não fala de objetos reais (ex.: “regra de ouro” que não é feita de ouro), é conotação.

Alternativa correta (EXCETO): D

A expressão destacada regra de ouro foi empregada em sentido conotativo, não denotativo. Trata-se de locução idiomática e metáfora que significa “princípio geral, diretriz prática de grande valor”, e não uma regra literalmente “feita de ouro”. Por isso, é a única que não está em sentido denotativo, atendendo ao comando “EXCETO”.

Por que as demais estão corretas (denotativas):

A) relaxar — uso literal: “descontrair, reduzir tensão, descansar” durante uma atividade prazerosa. Não há figura de linguagem. É o sentido dicionarizado (denotativo).

B) pequenas — adjetivo empregado no valor literal de “de pouca idade” (crianças em idade precoce). Não é diminutivo afetivo nem metáfora; logo, sentido denotativo.

C) órgão — uso biológico literal: o cérebro é um órgão do corpo humano. Embora a frase diga “faz seu melhor” (expressão coloquial), a palavra destacada “órgão” permanece no sentido básico (denotativo).

Pegadinhas comuns e como evitar: - Não confunda a coloquialidade do período com a palavra destacada. Em C, mesmo havendo expressão coloquial, o termo sublinhado é literal. - Desconfie de expressões cristalizadas como “regra de ouro”, “mão de ferro”, “pé frio”: via de regra são conotativas.

Referências normativas úteis: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa, e Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo (tratam de denotação/conotação e locuções idiomáticas). Quanto à ortografia das palavras citadas (“órgão”, “relaxar”, “pequenas”), elas seguem a forma registrada no VOLP/ABL.

Gabarito: D

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Comentários

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Gab: D

Gabarito: D

A palavra "ouro" está no sentido conotativo e indica que a palavra "regra" é perfeita, universal, infalível.

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